Kassab endossa mudança na São Silvestre, mas admite volta à Paulista

Os protestos de atletas profissionais e amadores contra a alteração no trajeto da Corrida Internacional de São Silvestre chegaram aos ouvidos do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Nesta quarta-feira, ele ressaltou não ter tido participação na mudança - fruto de uma "decisão técnica" dos organizadores -, mas admitiu que a prefeitura terá de agir para encontrar uma solução caso a novidade não seja bem-sucedida.

"Essa decisão está sendo adotada pelos coordenadores da prova, não tem uma participação política", disse Kassab, que nesta quarta falou sobre o assunto após realizar a vistoria do circuito de Interlagos. "Se não der certo - eu acredito que dará, porque são técnicos responsáveis - é evidente que será avaliado para continuar sendo aperfeiçoado".

No início do novembro, a Fundação Cásper Líbero, organizadora da São Silvestre, anunciou que a chegada da prova será realizada este ano na Praça Túlio Fontoura, em frente ao obelisco do Parque do Ibirapuera, e não mais na Avenida Paulista, tradicional palco da corrida que está em sua 87ª edição.

Assim, a Paulista, na região central de São Paulo, receberá apenas a largada da prova. Cerca de 150 pessoas se juntaram nesse local na semana passada para protestar contra a alteração, irritados pela falta de apego à tradição e também argumentando que o novo percurso pode provocar lesões devido à íngreme descida da Avenida Brigadeiro Luiz Antônio - antes, os atletas apenas subiam essa via para chegar à Paulista.

"É importante que sejam mantidas as tradições em uma cidade como São Paulo, mas (também) que as operações sejam evidentemente aperfeiçoadas. Vamos relembrar: quando eu era criança a São Silvestre era realizada à noite. Depois houve uma mudança - mais radical do que esta - e ela passou do período noturno para o diurno", prosseguiu Kassab, 51 anos, lembrando que até 1988 o evento começava por volta das 23h30 do dia 31 de dezembro.

Os organizadores justificam a "decisão técnica" citada pelo prefeito apontando que é impossível fazer a prova crescer na Paulista, onde falta espaço por causa das limitações impostas pela festa de réveillon que acontece na mesma avenida. Com a chegada no Ibirapuera, a expectativa é que o número de inscrições passe dos atuais 25 mil para 40 mil em 2014.

Embora endosse a alteração, Kassab admitiu que a prefeitura terá de agir caso a recepção do novo trajeto seja muito negativo. "Não serei mais eu o prefeito, mas confio muito na ação do poder público. Essa é uma prova muito querida na cidade e no Brasil. Ela tem reputação internacional, não tem por que o poder público não fazer um esforço para que ela seja realizada da melhor maneira possível", concluiu, ao ser questionado se o novo local do término da São Silvestre eventualmente pode ser revisto.