Fifa espera maior lucro com ingressos no Brasil do que na África do Sul

Camarotes vazios e venda de ingressos abaixo das estimativas. A Copa do Mundo da África do Sul em 2010 teve receitas de bilheterias e serviços VIP que não encheram os olhos da Fifa e de seus parceiros comerciais. No entanto, a expectativa é de que o Brasil gere lucros muito mais expressivos, que vão acabar cobrindo as perdas no continente africano.

Além da venda de ingressos para os jogos, que vai começar em agosto de 2013, a Fifa também comercializa os chamados "pacotes de hospitalidade", planos que envolvem camarotes e serviços especiais nos estádios, além das entradas para as partidas. Os pacotes vão começar a ser vendidos no próximo mês de novembro.

O diretor-executivo da Match Services, empresa responsável pela comercialização dos "pacotes de hospitalidade" afirma que a perspectiva de negócios no Brasil é extremamente positiva. Segundo Jamie Byrom, será possível reverter os resultados ruins obtidos na África do Sul.

"Nós começamos o processo de vendas dos pacotes de hospitalidade para a Copa de 2010 em setembro de 2008. E aquela altura já sabiamos que não conseguiriamos ter lucros facilmente, devido a uma série de fatores, incluindo a crise financeira", disse o executivo.

"Mas, como em uma partida de futebol, estamos em um jogo de dois tempos. No final do primeiro tempo, nós voltamos para casa com prejuízos bem grandes. Dois a zero para o adversário. Agora todas as indicações são de que o Brasil vai nos dar um segundo tempo muito mais proveitoso", declarou Byrom.

De acordo com o diretor, o interesse pelos pacotes VIP está sendo totalmente diferente do que ocorreu na África do Sul. A meta que foi estabelecida para 2011, três anos antes da Copa, já foi superada em três vezes, em volume de contratos.

"O mundo está olhando para o Brasil de uma forma muito diferente do que estava olhando para a África antes de 2010. A demanda por nossos serviços até agora tem sido impressionante", completou.

Ingressos 2014

A Fifa também está muito otimista em relação a venda de ingressos para as partidas da Copa de 2014. Na África do Sul, a procura por bilhetes só intensificou pouco antes da abertura do evento. Segundo o diretor de marketing da Fifa, Thierry Weil, o mesmo não deve ocorrer no Brasil.

"As longas filas da África do Sul também faziam parte da cultura local, já que as pessoas não tinham o hábito de comprar ingressos com muita antecedência. No Brasil, deve ser diferente, porque as pessoas não vão querer correr o risco de ficar sem entrada", disse.

O principal canal de vendas de ingressos para a Copa das Confederações, em 2013, e para a Copa do Mundo, em 2014, será a internet. "Sabemos que nas grandes cidades brasileiras a internet está presente em quase todos os lares. No entanto, o mesmo não acontece no interior do país. Por isso, também teremos outras estratégias de venda para atender a todas as camadas da população", disse Weil.

A Fifa pretende implantar sistemas de call centers para comercializar as entradas. Parcerias com empresas brasileiras também estão sendo cogitadas para aumentar ainda mais os pontos de venda.