Mano e Sabella enfrentam pressão de clubes com clássico fora de hora

Marcado para datas diferentes das estipuladas pela Fifa para amistosos, o Superclássico das Américas provocou uma série de reclamações de clubes brasileiros e argentinos que se sentiram prejudicados pelo perda de seus jogadores. As duas partidas jogadas em setembro - a segunda nesta quarta-feira, em Belém, às 21h50 (de Brasília) - tiraram a oportunidade de descanso para atletas que já sentem o desgaste físico da temporada.

O quadro é mais grave no Brasil. A temporada no País começou em janeiro e alguns jogadores convocados para o duelo têm participado de amistosos com frequência. Os casos mais emblemáticos são os de Neymar e Lucas, que neste ano ficaram um mês com a Seleção Sub-20 para a disputa do Sul-Americano, repetiram a longa ausência na Copa América e foram chamados para todos os amistosos.

Não à toa, partiu do diretor de futebol do clube santista, Pedro Luiz Nunes Conceição, a reclamação mais contundente sobre a situação. "Se você contar até o fim do ano, o Santos vai ficar quase 120 dias sem poder contar com o Neymar. E o pior é que o Santos continua jogando enquanto ele serve à Seleção. No mínimo ficamos sem ele em 18 jogos", argumentou o dirigente. Os santistas Danilo e Borges também estão no grupo.

A principal preocupação dos clubes brasileiros está com o desgaste que estes dois jogos fora de hora vão proporcionar. Os atletas têm atuado duas vezes por semana há um longo tempo e estes intervalos sem rodadas do Campeonato Brasileiro seriam uma oportunidade de dar respiro ao corpo, além de oferecer a chance de os técnicos aprimorarem a parte tática. As contusões recentes de Leandro Damião, Paulinho, Ganso e Fred são provas de que a maratona exige mais do que o recomendável dos jogadores.

Se o Superclássico das Américas ao menos não coincide com rodadas do Brasileiro, os amistosos diante de Costa Rica e México, em outubro, deixarão os times nacionais desfalcados por até duas rodadas. Com a competição entrando na reta final, a situação colocou Mano Menezes em uma saia-justa por não ter convocado nenhum jogador do Corinthians, seu ex-time, para os jogos. Entre os que brigam pelo título brasileiro de 2011, a equipe paulista é o único sem selecionados.

Mano diz que, dentro do possível, tem utilizado bom-senso (como na convocação de apenas um jogador de cada time), mas que precisa pensar em primeiro lugar na Seleção. Organizadora do Campeonato Brasileiro e dos amistosos, a CBF diz que estuda mudanças no calendário para os próximos anos, mas não existe nenhuma perspectiva de que o problema será solucionado em curto prazo. Neste cenário, a tendência é que a cada convocação Mano seja criticado pelos torcedores e pressionado pelos clubes.

Países diferentes, mesmo problema

O técnico Alejandro Sabella enfrenta o mesmo tipo de problema. A convocação de cinco jogadores do Boca Juniors provocou protestos do treinador Júlio César Falcioni, irritado por considerar que alguns deles não estão em condições físicas de fazer uma longa viagem e disputar o segundo jogo na semana em 72 horas.

A postura de Sabella foi idêntica a de Mano Menezes. "Cada um tem as suas posições. E defende a posição que lhe cabe defender. Não gosto de polêmica, sou de perfil tranquilo", disse o argentino, que tem um problema a menos do que o brasileiro para solucionar. Para os jogos de outubro das Eliminatórias, convocou apenas atletas que defendem clubes europeus.