Zulu faz sucesso na luta olímpica e festeja "saldo positivo" pós-BBB

Nenhum telefonema ou mensagem via SMS terá o poder de eliminar Marcelo Gomes, o Zulu, da disputa por uma medalha nos Jogos Pan-Americanos deste ano, que serão realizados em outubro, na cidade mexicana de Guadalajara. Sem imunidade alguma que o proteja, o atleta da luta olímpica brasileira dependerá apenas dos seus esforços para alcançar a maior glória da carreira, que ainda sofre para ser dissociada da participação do lutador na quarta edição do Big Brother Brasil.

Zulu não é um estreante em Jogos Pan-Americanos. Em 2007, no Rio de Janeiro, o atleta participou pela primeira vez do evento e conquistou a oitava colocação no estilo greco-romano até 84 kg. Segundo o lutador, o resultado não foi satisfatório. E nada nesta posição teve relação com sua participação recente - à época - no reality show.

"Meu adversário era um cubano, muito bem preparado. Naquela época, independente de ter participado do programa, eu já tinha condições de conquistar uma medalha, mas acho que a combinação do chaveamento não me ajudou em nada", afirmou Zulu, 30 anos.

Nestes últimos quatro anos, aumentaram as chances de Zulu conseguir um bom resultado no Pan, assim como a confiança do atleta. "Venho participando de inúmeras competições internacionais e fazendo diversos estágios em outros países. Passar por essas experiências me tornou alguém muito mais confiante para enfrentar os adversários", disse.

Praticante do jiu-jitsu desde 1996, Zulu conhecia a luta livre até se aproximar da luta olímpica. "Eu queria melhorar meu desempenho em quedas e acabei me apaixonando". Desde então, construiu uma carreira sólida na modalidade, com sete títulos brasileiros no estilo greco-romano. Se, individualmente, seus resultados são positivos, em breve, Marcelo Gomes espera ver a Seleção Brasileira de luta olímpica trilhando os mesmos caminhos.

"Estamos em uma fase de transição na luta olímpica do Brasil. As próximas gerações pegarão um caminho muito mais fácil do que a minha. Ainda temos de evoluir mais, mas hoje já demos os primeiros passos, com novos centros de treinamento, técnicos estrangeiros, intercâmbio entre países e mais participações em um número maior de competições", afirmou Zulu.

Projeção pós-BBB

A participação de Zulu no Big Brother Brasil 4 (em 2004) tinha tudo para atrapalhar o rumo do atleta. Porém, segundo o próprio lutador, o "saldo foi positivo". Ele conseguiu divulgar a sua imagem, a imagem da modalidade que praticava e, de quebra, ainda foi convidado para uma série de palestras sobre a luta olímpica. O estigma de ser um ex-participante de reality show - tão citado por ex-integrantes que não conseguem vingar em suas carreiras - não o prejudicou em momento algum.

"É engraçado. Virei uma mistura de dois Zulus. Até 2007, eu era conhecido como o ex-BBB que praticava luta olímpica. Hoje, depois do Pan do Rio, sou o atleta que participou do Big Brother. Um sempre está acompanhando o outro e até já desisti de desvincular uma coisa da outra", disse Zulu.

O lutador não vê a edição de Guadalajara como a sua última em Pan-Americanos e, com reais chances de medalha em sua categoria, Marcelo Gomes sabe que a batalha pelos resultados será mais árdua do que os dias em que ficou confinado no Big Brother.

"Estou na Seleção desde 2000. Portanto, estou acostumado com sistemas de confinamento, convivência com pessoas de culturas diferentes, distância e saudades de família e amigos. O BBB foi apenas mais um treino para mim. Para vingar como atleta, se eu não treinar até doer, todo dia, é melhor eu ir para casa dormir, porque nunca terei resultados", afirmou.