Brasileiros começam a se interessar pelo Rugby

Enquanto as melhores seleções de rugby do planeta estão disputando a Copa do Mundo na Nova Zelândia, o Brasil também começa a se interessar por este esporte, que será uma das novidades das Olimpíadas do Rio de Janeiro em 2011.

A modalidade olímpica é o ''Seven'', disputada com sete jogadores, diferente da versão mais tradicional, que tem quinze em cada equipe e dá mais importância aos contatos físicos.

O esporte, muito popular em países de cultura britânica e na França ainda tem um longo caminho a percorrer para se firmar de vez no Brasil.

O rugby conta hoje com cerca 10.000 praticantes no país, enquanto o futebol têm mais de 13 milhões, de acordo com a Fifa.

Na cidade que sediará as Olimpíadas de 2016, um clube chamado Rio Rugby já se prepara para este grande evento. Jogadores brasileiros convivem com estrangeiros que trazem toda sua experiência dos países como a França, a Austrália, a Inglaterra ou a Nova Zelândia, cujas seleções são entre as favoritas da Copa do Mundo, que começou no dia 9 de setembro.

O presidente do clube, Justin Thornycroft vem do Zimbábue. "Nosso clube foi fundado nos anos 40 por ingleses que trabalhavam no Rio para empresas britânicas e se chamava Royal Society of Saint George", explica Justin à AFP

"No início, a maioria dos jogadores era estrangeira, mas hoje, temos mais brasileiros. Treinamos na praia de Ipanema toda quarta-feira à noite para chamar a atenção do público para o nosso esporte", completa.

Estes treinos na praia já incentivaram jovens das comunidades vizinhas a se juntar ao grupo. Entre eles, Careca, de 19 anos, morador do Cantagalo.

"No início, pensava que fosse um esporte de mulheres porque na areia, a gente joga apenas na modalidade ''touch'', com menos contatos físicos. Mas quando treinei pela primeira vez num campo de verdade, entendi que era totalmente diferente", lembra o jovem.

Nos fins de semana, os jogadores mais experientes treinam num campo da Ilha do Fundão, perto do aeroporto internacional. Para jogar com as grandes traves verticais características do jogo de rugby, eles precisam amarrar tubos de plástico em cima do gol de futebol.

Na ano passado, Careca foi convocado para a seleção brasileira Sub-19 e disputou um torneio na Argentina. "Minha família não teria condições de pagar por essa viagem, então fiquei muito feliz ao ter a oportunidade de visitar outro país", afirma o jogador, que atua como ponta.

O clube disputa o Campeonato Fluminense de Rugby tradicional, com 15 jogadores, mas no final da temporada, os jogadores treinam na modalidade olímpica, com sete. "Gosto mais do ''seven'' porque é um jogo de movimento mais do que de contato físico. Tem mais a ver com minhas qualidades, já que sou um jogador rápido. Meu sonho é representar o meu país nas Olimpíadas de 2016", explica Careca.

Para apoiá-lo neste projeto, ele conta com a experiência de estrangeiros oriundos de países onde o rubgy é mais popular do que o futebol, como o neozelandês Dale Smith, de 35 anos.

"No início, entrei no clube para fazer amigos entre a comunidade britânica, mas ma verdade, hoje o que mais me interessa é ajudar os jovens daqui. Além disso, ao visitar a família deles, tive uma visão das favelas que poucos estrangeiros conseguem ter aqui no Rio", declara Dale.

O clube também conta com Edouard Clarck, de 21 anos, cuja trajetória ilustra bem o perfil multicultural do ''Rio Rugby''.

Filho de um francês e de uma inglesa, o jovem chegou a treinar nas categorias dos Natal Shark, clube grande da África do Sul, e já disputou um torneio com a seleção brasileira Sub-21.

"Foi uma sensação maravilhosa vestir a camisa verde-amarela, para representar este país que é mais que uma segunda pátria para mim", lembra.

Quem sabe no futuro, com o impulso das Olimpíadas, outros jovens podem fazer o caminho inverso, ao reforçar clubes franceses, como aconteceu no futebol com Raí e Juninho Pernambucano, que se tornaram ídolos no Paris Saint-Germain e no Lyon.