Idolatrado, Magnano pode ter nome na história do basquete brasileiro

"Já me dá um pouco de vergonha", diz Rubén Magnano sobre a homenagem que já se tornou tradicional em sua apresentação como técnico do Brasil antes dos jogos. Não interessa que o Brasil ganhe ou perca da Argentina, Magnano tem lugar cativo no coração da torcida. Com a conquista da vaga olímpica com o Brasil, poderá escrever seu nome na história do basquete brasileiro e do maior rival da Argentina.

E mesmo diante de um dia tão importante, ele não perde a pose séria. Escolhe quando e como vai falar com a imprensa, e evita a qualquer custo dar declarações que possam geram polêmicas. "Não vou falar de tragédia, nem de milagre. Nem de perto vou falar do resultado de amanhã. Vamos jogar primeiro e depois falamos", responde aos jornalistas que, de pé, tentava arrancar um pouco mais de informação do técnico. Sentado por conta do cansaço e de uma leve dor na perna, ele repete algumas frases e palavras-chaves que viraram parte do mantra dessa Seleção brasileira: defesa, preparação, confiança, entre outras.

A calorosa e sincera homenagem dos torcedores argentinos cada vez que seu nome é dito em quadra ele credita a forma como trabalha há tantos anos. "Eu trabalhei muitos anos na seleção nacional, trabalhei em um monte de clubes, sempre com os mesmos pilares, disciplina, respeito e trabalho, e creio que as pessoas sabem disso. Talvez seja o reconhecimento pelo que alguém está fazendo. Trabalhamos honestamente, se os resultados ajudam ou não ajudam, é outra coisa, mas trabalhamos honestamente", explica o popular técnico.

No comando da Seleção Brasileira há quase dois anos, ele acredita que não atingiu todos os seus objetivos. Quando entrou na equipe, Magnano tinha o sonho, a ilusão ele mesmo diz, de que conseguir deixar o Brasil entre os oito no Mundial da Turquia, mas não foi possível. "Independentemente da equipe ter jogado bem ou mal, não estou falando disso, estou falando da minha vontade. Mas é certo que tivemos muitas adversidades no ano passado, e disso nem se tem que falar nesse momento, pois está tudo acontecendo ao contrário agora", acredita Rubén Magnano. Após o Pré-Olímpico, o cordobês pretende passar alguns dias na Argentina, mas já pensa nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, em outubro.

Reinterando que o sucesso do Brasil nesse Pré-Olímpico se deve ao que foi feito até então, Magnano voltou a falar da importância da preparação e disse que Confederação Brasileira de Basketball (CBB) teve um papel importante nisso ao tratar de que nada faltasse aos atletas. "Levar um quadrangular como Tuto Marchand para Foz do Iguaçu foi algo muito importante, pois eleva o basquete nacional. São essas que nos ajudaram a hoje termos uma chance de ir para Londres".

Sem querer pressionar mais seus atletas, Rubén Magnano afirma ser difícil comparar essa Seleção com aquele time da Argentina que ganhou medalha de ouro em Atenas, e mais difícil ainda avaliar como os jogadores estão se sentindo antes do jogo, pois é algo muito pessoal, de cada um. "Eu acho que eles estão bem, confiantes, não quero pensar se estão nervosos, sem foco. Devemos avaliar o que foi feito até hoje, e não o contrário. Espero que eles continuem assim nesse jogo que é vital", disse o técnico argentino, que terminou de atender a imprensa dizendo: "eu confio neles".