Basquete: Brasil encara dominicanos como "dream team" pela vaga histórica

Quando se luta por algo durante muito tempo, perde-se um pouco a noção da realidade e tudo que está em torno desse algo ganha outras proporções. Com a vaga para os Jogos Olímpicos é assim, tanto que até a República Dominicana é capaz de virar um dream team para o Brasil. Marcelinho Machado, um dos atletas da Seleção Brasileira que há mais tempo quer essa vaga, sabe que os dominicanos não são o time dos sonhos, mas sabe também que para lograr o seu objetivo, tem que pensar assim. "A República Dominicana está na mesma situação que nós: é ganhar um jogo e classificar para as Olimpíadas, por isso temos que entrar em quadra como se eles fossem um dream team, o melhor do mundo, e fazer o nosso jogo", disse ele.

Ao saber da declaração, o técnico argentino Rubén Magnano fez questão de salientar que tal declaração saiu da boca de um jogador, e não da sua. "Olha aí", disse ele sorrindo, "eles já estão tomando cada equipe que enfrentam como um verdadeiro dream team. Não importa o nome da equipe, foi esse respeito que temos pelo rival que nos permitiu jogar por essa vaga para Londres", ressaltou Magnano. 

Neste sábado, às 19h (de Brasília), o Brasil volta ao Estádio Poliesportivo Islas Malvinas para encontrar seu único algoz desse Pré-Olímpico de Basquete Masculino: a República Dominicana.

Rival dos dominicanos pela quarta vez em poucos meses - as outras duas foram durante a preparação, e o Brasil ganhou as duas - Marcelinho Machado acredita que o Brasil tem tudo para não errar dessa vez, justamente a única em que não pode falhar. A defesa, como sempre, será peça chave da atuação brasileira.

Independentemente do porquê do Brasil ter perdido na primeira fase, o que o Brasil não quer é perder duas vezes no mesmo campeonato para a mesma equipe. Para Vitor Benite, a República Dominicana é um time bastante individualista, e por isso é preciso impedir que seus jogadores mais importantes cresçam em quadra e sintam-se confiantes. "Temos que tirar eles das posições e forçá-los a jogar de uma forma que eles não estão acostumados", explica o jovem.

O técnico argentino acredita que o mais importante é parar o "tridente" dominicano da NBA: Al Horford, Jack Martínez, Luis Flores e Charlie Villanueva. "Há sempre três desses quatro jogadores em campo, o que faz da República Dominicana uma equipe muito temida", assinalou. Treinada por John Calipari, a equipe dominicana luta por sua primeira chance na história de se classificar para as Olimpíadas.

Mesmo diante da força da ausência de Edgar Sosa, armador dos dominicanos que fraturou a tíbia e a fíbula, Marcelinho Huertas quer deixar o passado para trás e pensar no futuro. "Às vezes, quando um time perde um jogador como o Sosa, que era importante para eles, a equipe sente no rendimento, é claro, mas ainda assim é difícil falar. Talvez eles tenham jogado pior esses dois últimos jogos, mas tenho certeza que no jogo contra o Brasil isso será esquecido por eles", sinaliza o atleta. "A gente tem que entrar com a força máxima, não podemos ficar pensando se eles estão jogando pior do que eles estavam no começo da competição ou não", reforça Huertas.

"Temos que reduzir os espaços. A gente sabe que eles gostam de jogar na correria, no contra-ataque, por isso temos que evitar de tomar cestas fáceis, e depois de fazer os arremessos voltar do ataque e fazer um bom balanço defensivo, não deixar eles fazerem cesta em transição e obrigar eles a jogarem no cinco contra cinco", afirma Huertas. "A gente sabe que no cinco contra cinco que a gente é realmente forte", conclui o armador que teve uma atuação bastante atípica contra a República Dominicana na primeira fase e que, como ele mesmo disse, não irá se repetir.