Após brilhar na Sub-20, Oscar tem atuação fraca pelo Inter

Depois de brilhar na Seleção Brasileira Sub-20 com três gols na final do Mundial da categoria contra Portugal, no último sábado, Oscar voltou ao Internacional para a final da Recopa Sul-Americana contra o Independiente, da Argentina. Contudo, não apresentou o mesmo desempenho que teve representando o Brasil ou em jogos anteriores pela própria equipe colorada, segundo os torcedores que acompanharam a partida decisiva disputada no Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, na noite de quarta-feira. Com uma vitória por 3 a 1, os gaúchos conquistaram o bicampeonato da competição continental.

Oscar parece ter sentido não só o cansaço de uma disputa internacional, mas também a cobrança da torcida colorada. Durante o anúncio da escalação, ele foi um dos nomes mais ovacionados ao lado de D´Alessandro e Leandro Damião, uma unanimidade entre os torcedores. No entanto, em campo, o ex-jogador do São Paulo teve um desempenho razoável: pecou em vários momentos ao errar passes, tempo de bola e apresentar poucos vezes a rapidez no ataque, uma de suas maiores características.

Antes da partida, a confiança dos colorados era grande em Oscar, conforme dizia o bancário aposentado Paulo Coelho. "Acompanhei todos os jogos da Seleção Sub-20 porque eles são o nosso futuro". Sobre o jogador colorado, ele era só elogios. "Ele (Oscar) é marcador, armador e goleador, mas talvez essa última característica ainda não esteja clara, depende da função que vai ser determinada pelo treinador", especulou Coelho. "Com a bola que ele vem jogando se torna imprescindível ao lado do Damião", disse o industriário Milton Moraes.

No entanto, após o primeiro tempo, mesmo com o Inter com dois gols de vantagem, que já davam o título da Recopa aos colorados, o otimismo não era o mesmo. "O Oscar não está no jogo, está errando passes, não sei se é soberba por ter vindo da Seleção, mas está jogando de forma displicente", criticou o professor Maurício Pereira, considerando ainda a possibilidade de um desgaste físico do jogador após a passagem pela Seleção.

O agricultor Vilson Skarton concordava com Pereira. "Parece que ele está com a cabeça em outro lugar, está perdendo bola, jogando afobado, está perdido em campo, mas vai melhorar". A fé do torcedor era inabalável em Oscar. "Ele não está jogando nada, está lerdo, mas vai voltar no segundo tempo para fazer dois gols", profetizava o pequeno Esdras Motta, 10 anos.

No segundo período do jogo vieram os dois gols, mas um deles dos pés dos argentinos, o que colocou em risco o título colorado, que só foi salvo na etapa final após um pênalti batido por Kleber, que garantiu a festa do Inter no Beira Rio. "Oscar deixou um pouco a desejar, mas cumpriu sua missão. Temos que entender que ele está cansado depois daquela final da Sub-20", disse Paulo Coelho após o final do jogo.

Já Oscar disse que vive um momento mágico em sua carreira com a conquista de dois títulos em apenas quadro dias. "Eu entrei em campo pensando em mais uma decisão, sabendo que ia ser um jogo difícil, diferente do mundial, porque aqui os argentinos são muito bons também, e graças a Deus conseguimos uma grande vitória. Não fiz gol, mas tive várias chances".

Sobre a diferença de jogar na Seleção e no Internacional, Oscar explicou que atuava um pouco mais recuado, mas, no Inter, voltou a ocupar um espaço mais adiantado, até mesmo pela determinação do técnico Dorival Jr. "Agora é me adaptar (a nova posição) para voltar a jogar o que eu vinha jogando pelo Internacional (¿) hoje (quarta-feira) eu fiz um grande jogo, chutei bastante; o Dorival pediu que eu fizesse isso, mas o mais importante foi ter saído com a vitória", comemorou.

Europa

Oscar e Leandro Damião são as maiores esperanças da torcida colorada, mas também as maiores preocupações a poucos dias do fechamento da janela de transferências. Com as brilhantes atuações recentes dos dois jogadores, o Inter se vê cada vez mais pressionado pelo assédio de clubes internacionais em busca dos talentos brasileiros. A direção diz que vai mantê-los até o final do ano pelo menos, mas as cifras vindas de fora são grandes e podem fazer o clube mudar de ideia.