Mano assume deficiências, evita desculpas e descarta mudança radical

Com respostas diretas, o técnico Mano Menezes indicou que seu segundo ano na Seleção Brasileira terá muitas mudanças em relação ao que fez até a derrota para a Alemanha por 3 a 2, na última quarta-feira, em Stuttgart. Depois de uma Copa América com momentos tensos em entrevistas, Mano encarou o revés diante dos alemães com sobriedade, assumindo que a sua Seleção está devendo.

O treinador admitiu que o Brasil foi dominado pela Alemanha, apontou erros, mostrou-se incomodado com a falta de uma grande vitória, não procurou subterfúgios como a evidente desvantagem física e analisou a derrota como consequência natural da superioridade alemã. Como é de praxe, não citou nomes na entrevista, mas mandou recados para os atacantes que desperdiçaram gols (Alexandre Pato) e para os defensores que falharam (André Santos).

"A Alemanha impôs o seu jogo, não conseguimos fazer o encaixe, fomos dominados e só em alguns momentos conseguimos equilibrar", disse o treinador. "Certamente gostaríamos que os resultados fossem melhores, mas não existe milagre. Precisamos passar por estas etapas. Perdemos exatamente porque a dificuldade vai estar em seleções fortes", completou.

O discurso contrastou com o apresentado após a eliminação no torneio sul-americano, quando defendeu seu trabalho com unhas e dentes e foi criticado por reclamar do gramado do Estádio Cidade de La Plata logo após a derrota para o Paraguai. Na ocasião, apresentou os buracos no campo como parte da justificativa pelos quatro pênaltis desperdiçados. A declaração foi analisada por muitos como inapropriada por soar como desculpa.

Já na quarta-feira, disse que promoverá mudanças nesta próxima etapa de seu trabalho. Afirmou que a repetição de erros precisa ser combatida, que continuará o processo de renovação, mas descartou qualquer mudança radical de direção.

"Não acho que a agente consiga evoluir fazendo grandes mudanças. Vamos fazendo com conceitos mais definitivos, mais gradativos para que a Seleção não oscile mais ainda, que não perca o que construiu até agora", afirmou.

Admitiu ainda que é preciso ter paciência com os jogadores que participam deste momento de transição, mas sem eximir de culpa por algumas apostas equivocadas. "Não podemos comparar com os consagrados, os que estão chegando vão criar seus espaços e muitos têm personalidade. No futebol se erra e se acerta. Os técnicos descobrem isso mais demoradamente porque os parâmetros que eles precisam usar são mais firmes que uma derrota", concluiu.

Mesmo assim, Mano avisa que os testes não vão acabar. "Vamos fazer isso até a Olimpíada. De lá para frente temos que ter 90% do grupo definido para treinar e colocar em dia. Eu sei que o torcedor espera um outro nível logo, mas é preciso ter paciência". Até o momento, Mano convocou 54 jogadores para a Seleção.