Muçulmanas escolhem tiro para conciliar véu com esporte nos Jogos Militares

Em meio ao barulho ensurdecedor dos disparos de fuzis, carabinas e pistolas durante os Jogos Mundiais Militares, uma cena chama atenção: as atletas do tiro muçulmanas com seus véus negros na cabeça. A modalidade é muito popular entre elas porque o uso do adorno na cabeça não atrapalha.

A atleta iraniana Narjes Enangholinejad diz que as mulheres em seu país podem praticar qualquer tipo de esporte, mas por causa do véu, a escolha se torna um pouco complicada. "Escolhi o tiro porque não atrapalha, já que é apenas uma coisa sobre a minha cabeça", diz.

"Por causa disso, algum esportes como a natação ficam inviáveis. Mas as mulheres competem em nosso país, mas em competições nacionais, não em internacionais", diz.

Diferente do Irã, no Bahrein, o uso do véu é opcional, mas ainda assim, algumas atletas não abrem mão ornamento por questões religiosas. "As mulheres podem praticar qualquer esporte já que o uso do véu não é obrigatório. É uma opção por questões religiosas. Se gostar usa, mas se não quiser, não é obrigatório", diz a militar bareinita Maryam Khamis.

Ela diz que, antes de praticar tiro, era atleta de vôlei. "Eu jogava com o véu, nunca me atrapalhou". Agora as mulheres também podem jogar futebol e basquete em seu país, um pequeno arquipélago próximo dos Emirados Árabes com população de aproximadamente 800 mil habitantes.

O esporte parece unir culturas tão distintas e dá aos atletas de países mais isolados, como é o caso do Irã, a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre a vida longe das fronteiras controladas pelos aiatolás.

"Eu gosto de saber muito sobre outras culturas, sobre outras pessoas, principalmente sobre os ocidentais porque sei que vivem em um cultura muito interessante", diz a tímida atleta iraniana.

Ela diz que se sente muito bem-vinda no Brasil, e não vê as diferenças culturais com muita surpresa, já que em seu país, a maioria das pessoas sabem um pouco sobre o Brasil. "No Irã, as pessoas conhecem o Brasil, eu não sei bem o porque, mas acho que é por causa do futebol".

No final da entrevista a reportagem cometeu uma gafe ao oferecer um aperto de mão à atleta iraniana que meio constrangida respondeu: "desculpe, mas não posso", em respeito à cultura e costumes de seu país.