Corte Arbitral surpreende e mantém apenas advertência a Cielo por doping

Contrariando decisões anteriores tomadas em casos semelhantes, a Corte Arbitral do Esporte (CAS, na sigla em inglês) decidiu não punir o nadador Cesar Cielo por conta do exame positivo para o diurético furosemida realizado em maio, durante a disputa do Troféu Maria Lenk, no Rio de Janeiro. 

O brasileiro, assim como seus companheiros Nicholas Santos e Henrique Barbosa, viu a advertência recebida anteriormente pela CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos) ser apenas mantida pelo tribunal.

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Apenas Vinícus Waked, que é reincidente em caso de doping, foi punido. Menos badalado do quarteto, o nadador recebeu um ano de gancho.

Sem qualquer tipo de suspensão, o campeão olímpico está livre para disputar o Mundial de Xangai, cujas competições de natação têm início neste domingo. A primeira prova do nadador será a eliminatória dos 50 m borboleta, já no domingo.

Como os resultados dos quatro nadadores desde o Maria Lenk foram anulados, Henrique Barbosa e Nicholas Santos perderam a classificação ao Mundial, pois haviam feito os índices necessários para participar do torneio durante a competição no Rio de Janeiro. Cielo já estava classificado antes disso, enquanto Waked não obteve índice suficiente.

A decisão do CAS poderia ser muito pior: caso pegasse mais de seis meses de suspensão, Cielo, a princípio, estaria impedido de disputar a Olimpíada de Londres em 2012. O motivo é uma regra do COI (Comitê Olímpico Internacional) que veta a participação de atletas que tenham sido punidos por mais de meio ano por doping dos Jogos seguintes - bastante contestada, a medida deve passar por votação e ser reavaliada ainda este ano.

Cielo, Nicholas, Henrique e Waked foram pegos no antidoping em exames realizados nos dias 7 e 8 de maio, todos pelo uso de furosemida. A princípio apenas advertidos pela CBDA, eles precisaram passar por um julgamento do CAS depois que a Fina (Federação Internacional de Natação) apelou da decisão da entidade brasileira junto ao tribunal desportivo.

A audiência, que aconteceu na última quarta-feira em Sheshan, durou quase seis horas e teve a presença dos quatro nadadores, membros da CBDA e do advogado americano Howard Jacobs, especialista em casos de doping. O painel de juízes do CAS que arbitrou o caso foi composto pelo australiano Alan Sullivan, o suíço Olivier Carrard e o americano Jeffrey Benz.