Técnico da Seleção de remo faz duras críticas ao trabalho no Brasil

Durante o Campeonato Brasileiro de Remo Aberto 2011, realizado no Rio de Janeiro, o técnico chefe da seleção brasileira, o francês José Oyarzabal, fez duras críticas à Confederação Brasileira de Remo (CBR), ás federações estaduais, aos clubes, e também a alguns remadores brasileiros. Para ele, falta organização, infraestrutura, formação de novos remadores e, acima de tudo, amor ao esporte.

"Nos outros países há um objetivo maior que não é somente o clube. Para mim a motivação esportiva não tem nada a ver com dinheiro, aprendi isso na universidade de psicologia que fiz. O dinheiro pode ajudar a ter uma vida mais confortável. Mas aqui no Brasil até os remadores medianos recebem dinheiro. Na França, os atletas conseguem um convênio para trabalhar meio período e treinar duas vezes ao dia. Já aqui os remadores têm que receber salário, patrocínio e nada de trabalharem", criticou.

Para o técnico, o Brasil deveria investir mais na formação de novos atletas e dar continuidade ao trabalho dos atuais, para que o esporte brasileiro seja tão forte nas modalidades olímpicas, como é no futebol.

O remo ao longo dos anos foi perdendo espaço na preferência esportiva da nova geração. Poucos clubes, como Flamengo e Botafogo no Rio de Janeiro, têm feito investimento na formação de uma categoria de base.

O técnico acredita que falta organização da CBR em oferecer estrutura melhor para o remo, e uma união entre a confederação, as federações estaduais e os clubes brasileiros para que o esporte cresça e traga resultados para o País.

"No Brasil não temos uma escola de remo, cada atleta rema de um jeito. No estádio de Remo na Lagoa, onde acontecerá às provas na Olimpíada de 2016 não há sala de musculação. Falta infraestrutura, organização, iniciativa, patrocínio. A cidade que vai sediar os Jogos Olímpicos em 2016, não tem um centro de treinamento para acolher os atletas de todo o País, para poder trabalhar. Nem acomodações para eles treinarem na cidade existe. É preciso correr atrás de hotéis disponíveis para acolher esses esportistas que vêm de fora. É um absurdo. É preciso organização da CBR em oferecer uma estrutura melhor para o remo", desabafa José.

Seletiva

A escolha dos remadores que irão disputar o Pan de Guadalajara no México e os eventos internacionais que acontecerão no segundo semestre desse ano, será realizado durante uma seletiva que acontecerá durante esse mês no Rio de Janeiro.

"A seletiva mesmo irá acontecer agora em julho, com uma série de baterias. Vai haver um desafio. O double skiff, por exemplo, já vamos fazer uma eliminatória na próxima semana. Já que até agora eu não consegui montar esse double. Foi complicado, tivemos um problema de adaptação de um remador com outro. Então decidi deixar para fazer esse desafio na água durante essa seletiva", afirma.