Estrelada por Ganso e Neymar, Seleção inicia 1ª avaliação da Era Mano

Mano Menezes teve 11 meses e oito amistosos para preparar a Seleção Brasileira para a sua primeira verdadeira avaliação no cargo de técnico. Neste domingo, quando entrar em campo para estrear na Copa América contra a Venezuela, às 16h (de Brasília), em La Plata, esta fase inicial de trabalho será colocada à prova e servirá de termômetro para um ciclo que teoricamente só se encerra em 2014.

Neste primeiro período, Mano colecionou derrotas para as tradicionais Argentina e França, não conseguiu vitória contra um adversário de peso e teve dificuldades para escalar seu time ideal. Mesmo assim, inicia a Copa América convicto de que tem nas mãos a melhor Seleção possível no momento e que uma dupla de santistas é o diferencial que pode transformar um time sólido em brilhante.

Neymar e Paulo Henrique Ganso têm no torneio o primeiro desafio pela Seleção. Campeões da Copa Libertadores pelo Santos, os jogadores são assediados pelos clubes europeus e têm papéis-chaves no time de Mano Menezes. Neymar tem mais ares de popstar, tem jogado com agressividade e eficiência e é típico atacante que desequilibra. Ganso será o maestro, o homem-responsável por organizar o time e indispensável para o esquema imaginado para Mano.

O interesse extracampo em cima da dupla e a importância para o funcionamento do time deixam em um nível abaixo Robinho e Alexandre Pato, jogadores que completam o quadrado ofensivo escalado por Mano. Os quatro só jogaram juntos uma vez, na vitória por 2 a 0 para os Estados Unidos, o suficiente para o treinador se convencer de que essa era a melhor opção.

Titulares em seis dos oito jogos da era Mano, Ramires e Lucas Leiva formam a dupla de volantes que protege uma linha de quatro zagueiros formada por Daniel Alves, Lúcio, Thiago Silva e André Santos. Ao todo, o treinador convocou nove remanescentes da Copa da África do Sul, em 2010, e defendeu uma renovação gradual.

"Penso que seria muito normal seguir uma trajetória dentro daquilo que foi montado. Você não pode abrir mão de jogadores de qualidade, mas foi necessário contar como novos jogadores. Às vezes ouço alguns questionamentos sobre Lúcio e Júlio César, que tem mais idade, mas penso que são úteis especialmente para os jogadores que estão chegando. Entendo que estamos no caminho certo", disse.

Se dentro de campo a competição é o primeiro grande teste para Mano, fora o treinador deixa boa impressão. Ainda traumatizada com a postura rígida de Dunga, a Seleção experimenta um ambiente mais leve, em que o treinador concede liberdade em troco de cumplicidade com os jogadores, e não obediência.

A primeira avaliação de Mano, no entanto, não será realizada no lugar ideal para o Brasil. O País nunca ganhou uma Copa América na Argentina e deve encontrar um ambiente hostil decorrente da rivalidade entre os países. A Seleção busca o tricampeonato depois de dois títulos conquistados em cima dos argentinos.

Ex-galinha morta

O primeiro adversário o Brasil no torneio é um freguês histórico, que perdeu 18 de 20 partidas para os brasileiros. Mas, respaldado pelo histórico recente de uma vitória para cada lado no confronto direto e um empate, Mano disse que os venezuelanos não são mais galinha morta no continente.

Para surpreender os brasileiros, os venezuelanos apostam em mistério. Praticamente todos os treinos do país na Argentina foram fechados e a principal dúvida é Juan Arango, jogador que se recuperado de dores no tornozelo esquerdo.

BRASIL x VENEZUELA

Local: Estádio Ciudad de La Plata, em La Plata (Argentina)

Data: 3 de julho de 2011, domingo

Horário: 16h (de Brasília)

Árbitro: Raúl Orosco (Bolívia)

Assistentes: Efrain Castro (Bolívia) e Marvin Torrente (México)

BRASIL: Julio Cesar; Daniel Alves, Lucio, Thiago Silva e André Santos; Lucas Leiva, Ramires e Paulo Henrique Ganso; Robinho, Alexandre Pato e Neymar.

Técnico: Mano Menezes

VENEZUELA

Renny Vega; Roberto Rosales, Grenddy Perozo, Alexander González e Gabriel Cichero; Tomás Rincón, César González, Luis Manuel Seijas e Juan Arango (Orozco); Giancarlo Maldonado e Alejandro Moreno

Técnico: Cesar Farías