Vereadores pró-Itaquerão comandam audiência sobre isenção fiscal

A audiência pública realizada pela Câmara Municipal de São Paulo na manhã desta quinta-feira contou majoritariamente com a presença de vereadores a favor do incentivo fiscal de R$ 420 milhões para a construção do futuro estádio do Corinthians, em Itaquera, na zona leste da capital paulista. Somente no final, o vereador Aurélio Miguel (PR) pediu a palavra. O valor integra as garantias financeiras exigidas pela Fifa até o próximo dia 10 de julho para que a cidade se credencie a receber a abertura da Copa do Mundo de 2014. A sede será anunciada pela entidade internacional no próximo dia 29.

A audiência desta quinta-feira foi a segunda - a primeira ocorreu na sexta-feira, durante o feriado prolongado de Corpus Christi -, necessária para cumprir o regimento interno da Casa, que prevê a realização de pelo menos duas audiências desse tipo antes da votação final, que deve ocorrer nesta sexta-feira, antes do recesso da Câmara.

Entre os vereadores que se manifestaram favoráveis ao incentivo fiscal para a construção da obra estavam Wadih Mutran (PP), Ítalo Cardoso (PT), Senival Moura (PT) e Gilson Barreto (PSDB).

O secretário Municipal de Desenvolvimento Econômico e do Trabalho, Marcos Cintra, disse que não existe plano B. "Ou damos os recursos em forma de subsídio ou não teremos a abertura da Copa", disse ele.

Segundo Cinta, a obra será fundamental para o desenvolvimento da zona leste e trará muita visibilidade à região. "Isso trará mais indústrias para a região e benefícios à população, notadamente na área de transportes".

O vereador Antonio Carlos Rodrigues (PR) disse que gostaria de ouvir a manifestação da Procuradoria da Justiça e do Instituto de Pesquisas Tecnológicas, antes de o projeto ser aprovado. "Já ouvi de engenheiros que o estádio pode não ser concluído a tempo de ser utilizado na abertura da Copa", disse.

Rodrigues, que travou uma discussão acalorada com Marcos Cintra, disse temer que o clube paulista receba os incentivos fiscais, mas o estádio não fique pronto a tempo para a realização da abertura da Copa do Mundo. Ontem, Rodrigues não compareceu à votação.

O secretário especial de Articulação para a Copa do Mundo em São Paulo, Gilmar Tadeu Ribeiro Alves, disse que ara o êxito da Copa do Mundo no Brasil, a cidade tem de ter um papel de protagonismo.

"Em todas as últimas Copas do Mundo, os grandes centros econômicos tiveram papel de destaque e não será diferente no Brasil. O projeto (de isenção fiscal) é uma peça decisiva para a abertura da Copa em São Paulo", afirmou.

Entenda o caso

Durante as comemorações do centenário do Corinthians em setembro de 2010, o presidente do clube, Andrés Sanchez, anunciou que a torcida enfim teria sua própria casa. Os planos do dirigente eram erguer um estádio na região de Itaquera, na Zona Leste, que tradicionalmente concentra bom número de torcida alvinegra.

A construção de uma arena pelo Corinthians estava de acordo com os planos do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo de 2014, que já havia descartado o são-paulino Morumbi como sede do evento. A prefeitura cogitou, nos bastidores, a criação de um estádio em Pirituba, Zona Oeste de São Paulo, plano, que seria inviável economicamente.

Com ótima relação com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e o governo federal, o Corinthians teve seu projeto de estádio fosse aprovado pelo COL como a arena paulistana para o Mundial em março de 2011. A Odebrecht se fixou como parceira do clube para a construção do estádio.

Rapidamente surgiram críticas sobre o projeto corintiano, principalmente referente à possibilidade de uso de dinheiro público na obra. O clube se defendeu, alegando que o único fundo governamental que poderia ser empregado na construção do "Itaquerão" seria em forma de empréstimo do BNDES.

Após muitos atrasos e adiamentos, as obras enfim começaram no dia 30 de maio com a fase de terraplanagem, que tem previsão de durar três meses. Já fora da Copa das Confederações, o fim da construção tem prazo previsto para dezembro de 2013.