Com um a menos, Real busca empate e impede recorde do Barcelona

 

Com dez homens em campo e um gol de pênalti de Cristiano Ronaldo aos 37min do segundo tempo, o Real Madrid buscou um improvável empate por 1 a 1 diante do Barcelona neste sábado, no Estádio Santiago Bernabéu, pelo Campeonato Espanhol. O resultado impediu que os catalães igualassem um recorde histórico do clássico conseguido pelo Real de Di Stefano e Puskas na década de 1960: seis vitórias consecutivas por partidas do torneio nacional.

Messi havia colocado os visitantes na frente, também de pênalti, no início do segundo tempo - em lance que resultou na expulsão do zagueiro Raúl Albiol, complicando o plano do time madrileno para o jogo. Além de falhar em conseguir a sexta vitória seguida em clássicos, o Barcelona viu outra marca cair por terra: não levava gol do Real Madrid há três partidas.

Apesar disso, os comandados de Pep Guardiola seguem tranquilos na liderança do Espanhol, com 85 pontos - oito a mais que a equipe de José Mourinho, segunda colocada. Com o campeonato praticamente definido, a expectativa se volta para o próximo clássico entre os rivais: a final da Copa do Rei, na próxima quarta-feira, no Estádio Mestalla, em Valência.

Com um esquema tático diferente, o Real Madrid conseguiu frear o Barcelona no primeiro tempo e teve ótimas chances de gol no contra-ataque. Na segunda etapa, após a expulsão de Albiol, o time da casa deu mais espaços aos catalães - que controlaram a posse de bola durante toda a partida - mas seguiu assustando com lançamentos longos para frente e foi recompensado com o empate.

O jogo

José Mourinho surpreendeu na escalação do Real Madrid ao sacar do time titular o meia alemão Mesut Özil para a entrada do zagueiro Raúl Albiol - Pepe foi deslocado para a função de volante, reforçando a marcação no meio de campo ao lado de Xabi Alonso e Khedira. Cristiano Ronaldo, normalmente escalado pela esquerda do ataque, atuou pela direita. Do lado canhoto ficou Di María, que tinha a responsabilidade de acompanhar as subidas de Daniel Alves.

O Barcelona também teve sua surpresa: o capitão Puyol, de volta após longo tempo parado por lesão, foi titular na zaga. O time catalão dominou a posse desde o apito inicial, mas criou pouco nos primeiros minutos: o Real Madrid pressionava a saída de bola com os atacantes e dificultava a troca de passes do rival. No meio de campo, Pepe marcava duro e acompanhava Lionel Messi.

A primeira chance foi madrilena, na bola parada. Aos 9min, Cristiano Ronaldo bateu falta de muito longe e Valdés segurou firme no meio do gol. A partir dos 15min, o Real abandonou a pressão na saída de bola e passou a se fechar mais atrás; o Barcelona seguia dominando a posse de bola, mas esbarrava no "muro" de camisas brancas na intermediária e não conseguia criar.

A retaguarda do time da casa foi furada pela primeira vez só aos 18min: Iniesta deu lindo passe para Messi, que escapou por trás da zaga e tentou encobrir Casillas, mas o capitão do Real Madrid se recuperou bem e ficou com a bola. Com 25min, foi a vez de Messi enfiar a bola para Villa na área; o atacante se jogou em disputa com Casillas e o árbitro não marcou o pênalti.

Aos poucos, o Real ia se soltando mais e aproveitando as chances de sair no contra-ataque quando roubava a bola, principalmente com a velocidade de Cristiano Ronaldo e Di María. Aos 29min, o argentino ficou com a bola pela esquerda, foi para cima de Puyol e bateu mal, para fora. Quatro minutos depois, foi Cristiano quem perdeu grande chance de finalizar ao receber na área e dominar errado, dando tempo para que Adriano chegasse e afastasse o perigo.

Apesar da posse de bola do Barcelona, o Real Madrid tinha um plano de jogo definido - marcar fechado atrás e contra-atacar pelas pontas - e levava mais perigo. Sem conseguir os passes certeiros que costuma fazer no campo de ataque, o time catalão só voltou a chegar aos 39min, em chute de muito longe de David Villa; Casillas defendeu sem problemas.

Até então discreto para seus padrões, Messi "acordou" aos 43min e criou a melhor chance do time visitante no primeiro tempo em grande jogada individual. Ele dominou na direita, tabelou duas vezes, escapou de faltas, invadiu a área pela esquerda e bateu cruzado, exigindo grande defesa de Casillas. No minuto seguinte, resposta dos anfitriões: Sergio Ramos desviou após cobrança de escanteio e Cristiano Ronaldo cabeceou firme para o gol, mas Adriano salvou em cima da linha.

As equipes voltaram sem alterações para o segundo tempo e o Real teve uma grande oportunidade logo aos 4min. Cristiano Ronaldo sofreu falta na entrada da área e ele mesmo foi para a batida, acertando a trave de Valdés. Dois minutos depois, porém, o plano de Mourinho começou a ruir: Villa ganhou lance de Albiol e levou uma "gravata" dentro da área. O zagueiro foi expulso, Messi converteu o pênalti e colocou o Barcelona na frente.

Com 11min, Puyol sentiu problema muscular e teve que ser substituído por Keita, deslocando Busquets para o miolo de zaga. Já Mourinho optou por sacar Benzema e colocar Özil, adiantando Cristiano Ronaldo como único homem de frente. O Real seguiu com a tática de marcar recuado e explorar o contragolpe, agora com apenas Khedira e Xabi Alonso como volantes, auxiliados por Di María e Özil.

Com um a mais porém, o Barcelona passou a achar cada vez mais espaços. Aos 16min, Xavi recebeu de Pedro na entrada da área, bateu de primeira e acertou o travessão de Casillas. Três minutos depois, o time da capital assustou após lindo lançamento de Pepe para Di María; o argentino avançou pela esquerda, mas voltou a finalizar mal, por cima da meta.

Logo, mais substituições vieram: Mourinho sacou Di María e Xabi Alonso para as entradas de Arbeloa e Adebayor,passando Sergio Ramos à zaga e devolvendo Pepe ao meio de campo; Guardiola trocou Pedro por Afellay no ataque. Com 25min, após o Barcelona ficar tocando a bola por um longo tempo, Messi arrancou, escapou de duas faltas e serviu Villa na área, mas o chute do camisa 7 foi fraco e Casillas segurou.

Cansada e sem seu volante extra no meio, a equipe do Real Madrid apenas cercava o Barcelona. A exceção era Pepe, que continuava a chegar forte e cometia algumas faltas. O time catalão diminuiu o ritmo e passou a gastar o tempo, mantendo a posse de bola - como resultado, as chances de gol na partida diminuíram muito. Cristiano Ronaldo teve nova oportunidade em cobrança de falta aos 32min, mas mandou para fora.

A bola parada finalmente funcionou para o Real Madrid aos 37min. Marcelo invadiu a área pela esquerda e caiu após carrinho de Daniel Alves. O árbitro marcou pênalti e Cristiano Ronaldo bateu com categoria no canto, conseguindo um improvável empate para o time da casa.

Os últimos minutos foram frenéticos, com o Barcelona se lançando ao ataque e o Real aproveitando o espaço deixado para contra-atacar. Apesar das chances criadas dos dois lados, o placar não se mexeu mais no Bernabéu.