Velocista é a nova aposta do rúgbi feminino para Olimpíada

SÃO PAULO - O rúgbi brasileiro trouxe do atletismo seu mais novo reforço no Sevens, modalidade que representará o Brasil na Olimpíada de 2016. A capixaba Thamara Rangel Gomes, 23 anos, passou na última seletiva e é a nova aposta da Seleção feminina, heptacampeã sul-americana e invicta no continente. Com status de jogadora mais rápida do grupo, a novata participou dos treinamentos com o elenco no último fim de semana e, ainda que não tenha feito sua estreia, já sonha com os Jogos do Rio de Janeiro.

"É muita coisa que vem na cabeça nessa hora. Foi uma surpresa muito grande e estou muito feliz. Quando você pensa em poder representar a sua nação é algo que não tem explicação. Muitas vezes até me emociono quando penso nisso", disse a atleta do Vitória Rugby Club, do Espírito Santo.

Jogando há apenas um ano, Thamara abandonou as provas de 100 m, 200 m e salto em distância depois de se apaixonar pela modalidade. Para passar na seletiva, realizada no último mês de março, a atleta vinha competindo desde outubro e encarando oito treinos semanais, entre academia, corrida e trabalhos de técnica. Tudo isso, em meio a uma rotina de personal trainer e funcionária pública.

"Tenho o físico bom e essa velocidade que me destaca, mas ainda tenho de melhorar muito tecnicamente. Principalmente a questão do passe e do contato. Preciso desenvolver muito isso", reconhece a novata.

Responsável pela aposta, o treinador da Seleção, João Nogueira, explica: "ela vem do atletismo e ainda tem muitas deficiências técnicas, mas vamos aproveitar essa habilidade natural dela e essa capacidade de velocidade. Hoje, a Thamara está chegando como a mais veloz do grupo. Acho que em um ano já dá pra melhorar muito sua habilidade. É uma atleta que realmente vai ser muito importante para o elenco."

Mas além de se aprimorar no novo esporte, a jovem promessa vai ter o desafio de esclarecer o esporte para quem mora na sua cidade natal. "Ainda acho um pouco difícil explicar o que é o rúgbi. Em Vitória, o pessoal não conhece muito, e bastante gente ainda vê o esporte como violento. Eu tento passar que não é nada violento. Quando você faz alguma coisa com técnica, aquilo se torna um recurso do jogo", diz Thamara, que além do atletismo, já foi atacante de futebol e praticou handebol e jiu-jitsu.

Confirmando as expectativas, a novata se destacou nos primeiros testes físicos feitos após a vitória no Sul-Americano, que marcam o início de um novo ciclo da Seleção feminina, nos últimos dias 3 e 4 de abril. Aguardando ansiosa pela estreia, Thamara está motivada.

"Meu sonho é a Olimpíada de 2016, que será o auge. Já percebi que o grupo é muito amistoso, as meninas são companheiras e ajudam bastante. Tem garotas com muito tempo de rúgbi e elas passam confiança para quem está entrando agora", encerrou.