Adriano é apresentado como jogador do Corinthians

A ideia de que a chegada de Adriano pudesse rivalizar com a festa do São Paulo pelo retorno de Luís Fabiano foi deixada de lado e o jogador foi apresentado, na tarde desta quinta-feira, em um evento sem a presença da torcida. Ronaldo, um dos responsáveis pela intermediação das negociações, marcou presença no evento. Ele deu as boas vindas ao atleta e o presenteou com uma certidão da "República Corinthiana".

Bastante sorridente, Adriano vestiu a camisa 10, elogiou os companheiros e afirmou ser um sonho poder jogar no Corinthians. Prometeu bastante empenho e afirmou que é forte e tem capacidade de recuperar o futebol que fez com que os italianos o apelidassem de Imperador.

"Na Roma eu não tive uma experiência muito boa, me machuquei três vezes. Isso depende só de mim. Na minha vida eu já errei muito e sou o culpado. Mas dentro de campo eu consigo fazer tudo. Fora de campo eu pretende estabilizar a minha vida para voltar a jogar", afirmou o jogador, que fez questão de frisar que não sofre de alcoolismo.

"Meu único problema é a minha família. Sou muito apegado a ela, e por isso estou aqui. Não quero nunca mais sair de perto deles", disse. 

Perguntado sobre a postura da diretoria do Flamengo, que afirmou que o perfil do atleta não se encaixa na nova filosofia do clube, o atacante confessou ter ficado chateado, mas disse que o episódio está superado.

"O Flamengo foi um clube que fez parte da minha vida, sempre fez. Mas hoje estou feliz aqui. Agora sou corintiano, tenho que defender essa camisa com todo orgulho do mundo. Flamengo vai ficar no cantinho. Agora, o primeiro lugar é do Corinthians", garantiu.

Adriano segue para o Rio de Janeiro, onde resolverá problemas particulares antes de se mudar definitivamente para a capital paulista. Ele terminará o processo de recuperação de uma cirurgia no ombro direito e se incorporará ao elenco alvinegro até o fim de abril. A expectativa é de que possa jogar na estreia do clube no Brasileirão, contra o Grêmio, no dia 22 de maio.

Trajetória

O Corinthians é o sétimo clube da carreira de Adriano. O jogador começou no Flamengo, onde, em suas duas passagens, conquistou dois campeonatos cariocas, uma Copa dos Campeões (2001) e o Brasileirão de 2009. 

No futebol europeu jogou por Fiorentina, Parma e Internazionale. No clube milanês se consagrou. Levantou quatro campeonatos italianos, duas Copas da Itália, duas Supercopas e ganhou o apelido de Imperador. 

As boas atuações fizeram com que fosse convocado para a seleção brasileira. Com a camisa canarinho, disputou 48 partidas e marcou 27 gols, sendo dois na Copa do Mundo de 2006. Venceu a Copa América de 2004 e a Copa das Confederações de 2006. Passou ainda por São Paulo e Roma, mas sem o mesmo brilho.

Protesto

Na última sexta-feira, corintianos contrários à contratação do atacante protestaram na frente do Centro de Treinamento Joaquim Grava, com faixas e cobranças à diretoria do clube. Os dez torcedores presentes na manifestação levaram a mensagem: "Adriano, o Corinthians não é clínica de recuperação. Não queremos você aqui. Lugar de urubu é no lixão da Gávea". 

Em 2010, o Imperador foi um dos protagonistas da eliminação do Timão da Libertadores. Em um jogo disputado sob muita chuva, ele marcou o gol da vitória do Flamengo na partida de ida das oitavas de final do torneio. No jogo de volta, o Corinthians venceu por 2 a 1, mas saiu da competição devido ao gol rubro-negro fora de casa.

Recepção dos companheiros

Especula-se que alguns atletas do elenco teriam se incomodado com a chegada do Imperador. Os problemas de disciplina, os altos salários e os possíveis benefícios seriam os motivos. Publicamente, porém, o discurso é outro. Nos últimos dias, diversos jogadores mostraram-se satisfeitos com a oportunidade de poder atuar ao lado do atacante. 

“Não existe isso de laranja podre. O Ronaldo nos ajudou bastante e ele vai ajudar também. O único problema é que alguém vai ter de sair para o Adriano entrar. Se for eu, tudo bem. Vou trabalhar para voltar”, afirmou Jorge Henrique, que teve o apoio do zagueiro Leandro Castán,

“O Adriano dispensa comentários por tudo o que já fez no futebol. Todos que chegam aqui são acolhidos e ele será mais um”, garantiu.

Até então reservado, o técnico Tite foi outro que garantiu que o que Adriano fez ou deixou de fazer não influenciará em sua passagem pelo clube. “Todos nós erramos, eu já errei. Não sou ninguém para jogar a primeira pedra. Todo mundo tem a oportunidade de se reconduzir. Quando se dispõe a trabalhar, é o primeiro passo”, disse.

Polêmicas

Os problemas de Adriano começam após a morte de seu pai, em 2006. Antes decisivo, passou a temporada inteira sem marcar e foi muito criticado após a eliminação da Seleção da Copa do Mundo. Deprimido, assumiu em entrevistas que teve problemas com álcool e foi liberado por empréstimo ao São Paulo, onde fez 17 gols em 28 jogos.

De volta à Itália, o atacante voltou a ter boas atuações até que, em abril de 2009, abandonou os treinamentos e viajou, sem autorização, para o Brasil. Foram dias sem nenhuma notícia e diversos boatos, inclusive de que teria sido morto por traficantes. Dias depois, apareceu e declarou que interromperia a carreira por tempo indeterminado. 

Algumas semanas depois, rescindiu amigavelmente o contrato com o clube italiano e acertou com o Flamengo. Estreou no dia 6 de maio, contra o Atlético Paranaense, no Maracanã.  Marcou o segundo gol rubro-negro e foi ovacionado pela torcida com gritos de “O Imperador voltou” e do funk “Eu só quero é ser feliz”. Naquele ano, levaria o clube ao título nacional.

A sensação de que teria reencontrado o rumo da carreira, porém, não durou muito. Em 2010, participou de um baile funk na favela da Chatuba e teve o carro amassado a pedradas pela noiva Joana Machado. Pouco tempo depois, foram divulgadas fotos suas com o que parecia ser um fuzil, fazendo com as mãos o que seria o símbolo de uma facção criminosa. Adriano foi investigado pelo Ministério Público por suposto envolvimento com o tráfico de drogas.

Em junho, deixou o Flamengo para retornar à Europa. Foi contratado pela Roma, afirmando estar em dívida com o futebol italiano. No clube, porém, voltou a ser criticado pelo seu comportamento. Após sofrer uma lesão no ombro, foi liberado para recuperar-se no Brasil. No período em que esteve no Rio, recusou-se a fazer o teste do bafômetro e teve a carteira de habilitação apreendida durante uma blitz da Operação Lei Seca.