Globo diz que rompeu com Clube dos 13 por "respeito ao torcedor"

RIO - Criticada pela diretoria do Clube dos 13 e já sem a exclusividade e até o privilégio do ágio de 10% nas negociações pelos direitos de transmissão dos Brasileiros de 2012, 2013 e 2014, a Rede Globo, enfim, respondeu à associação através de um comunicado, que foi publicado nesta terça-feira no site da emissora e será divulgado oficialmente nesta quarta nos principais jornais do país.

A Rede Globo argumenta que decidiu negociar individualmente com cada clube para "privilegiar a parte mais importante do Projeto Futebol, o torcedor brasileiro".

A emissora paga cerca de R$ 400 milhões anuais para ter exclusividade nos direitos de transmissão para televisão aberta e pay-per-view. O Clube dos 13, alegando seguir determinação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), negociará independentemente os valores para televisão aberta, a cabo, internet e telefonia móvel, exigindo, no mínimo, R$ 1,3 bilhão por ano - R$ 500 milhões só para televisão aberta.

A mudança na negociação irritou a Globo, que cobra maior valorização à televisão aberta no recente crescimento financeiro dos clubes. "As condições não atendem aos formatos de exposição de conteúdo em TV Aberta e da comercialização do seu patrocínio, baseados exclusivamente em audiência e na receita publicitária".

"A Rede Globo se sente impedida de participar da referida licitação, e manterá contato com os clubes para negociar a aquisição dos direitos. Assim, acreditamos que será adequadamente observada a importância da TV Aberta, como meio de comunicação gratuito e de maior abrangência/audiência nacional, e privilegiada a parte mais importante do Projeto Futebol, o torcedor brasileiro", completa a nota.

A emissora carioca perdeu a exclusividade que tinha nas negociações desde 1997 por ordem do Cade. A mudança também fez a Globo desconsiderar o Clube dos 13 nas negociações. "As exigências e modificações nos conteúdos das diversas plataformas de mídia (...) importam na desestruturação de um projeto complexo, que foi construído ao longo dos últimos 13 anos".

A Globo afirma valorizar a evolução econômica dos times brasileiros e usa as dissidências do Clube dos 13 como prova de que seus argumentos são verdadeiros, lembrando que tentou o diálogo com a associação antes de decidir ignorá-la para tentar transmitir o principal torneio do país nos próximos anos.

"(A Rede Globo) Por várias vezes alertou que o modelo em vigor era fruto de uma longa parceria pelo aprimoramento do futebol brasileiro, e que as mudanças seriam danosas, inclusive para os próprios clubes. (...) os clubes brasileiros tiveram um crescimento muito acima do crescimento do PIB do país, não só através das receitas obtidas com a venda dos direitos de transmissão, mas também a com a comercialização de outros ativos, incluindo propaganda nos uniformes e publicidade nos estádios, em virtude da exposição permanente na TV Aberta", alegou a emissora.

"Não por outra razão, muitos dos principais clubes brasileiros já declararam publicamente que não serão representados pelo Clube dos Treze na negociação de seus direitos na referida competição", continuou a Globo, falando das dissidências de Botafogo, Corinthians, Coritiba, Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, Grêmio, Palmeiras e Vasco.