Barrichello tenta conduzir Williams à reação

Perda de patrocínios, baixo orçamento na equipe, falta de apoio de uma grande montadora... São muitos os problemas da Williams para a temporada 2011 da Fórmula 1. Por isso, caberá a Rubens Barrichello a tarefa de conduzir os carros de Frank Williams a bons resultados no ano. Longe de voltar a brigar por vitórias e títulos na década de 90, quando corria com motores Renault, o time aposta na experiência do brasileiro para ser ao menos competitiva.

Rubinho sabe que a tarefa não é fácil, exatamente por conta das limitações financeiras. Mesmo assim, ainda conseguiu surpreender nos testes de pré-temporada da F1 ao conquistar o melhor tempo dos quatro dias de testes coletivos em Jerez de la Frontera - a marca de 1min19s832 foi a única da programação abaixo da marca de 1min20s. Nada mal para quem, por conta da idade, esteve mais uma vez ameaçado de não ter contrato.

Em seu Twitter, Barrichello não se surpreendeu. Quando perguntado se a temperatura amena da Espanha nos testes não poderia causar uma impressão equivocada, o brasileiro deu a entender que a possibilidade existia. "De um tanque vazio para um tanque cheio, tem pelo menos 4s5 (de diferença). Imagina o que não dá para fazer", despistou o piloto, de forma pouco elucidativa, indicando com clareza apenas uma constatação: "a Red Bull ainda é a mais rápida de nós".

Muito se perguntou sobre o que provocou o bom desempenho da Williams de Rubens Barrichello em Jerez. Para quem apostou em tanque vazio, ele apenas creditou o feito à opção correta dos pneus. No entanto, era necessário para que Rubinho afastasse a ameaça que poderia vir futuramente de seu companheiro, o venezuelano Pastor Maldonado - que, apesar do grande aporte financeiro, ainda ficou devendo alguma velocidade na pré-temporada.

Na apresentação da pintura da equipe, Rubinho voltou a se mostrar animado - além de ter feito elogios ao desempenho do carro, o brasileiro também se mostrou satisfeito com as novas/velhas cores da Williams, em um diferenciado desenho azul e branco. Mesmo assim, foi cauteloso. "(Li) muitos comentários de que o todo azul (da pré-temporada) estava muito bonito. Eu também tinha gostado muito... Mas como cor não dá velocidade, estou tranquilo", riu o piloto.

Em 2010, o papel de Barrichello na Williams era semelhante, e ele não decepcionou ao conquistar o décimo lugar na temporada. Em 19 corridas, foram 47 pontos e um quarto lugar no GP da Europa. Seu companheiro, o alemão Nico Hulkenberg, somou apenas 22 pontos, mas ofuscou o brasileiro no fim do ano ao conquistar a pole position no GP do Brasil, a primeira da equipe desde 2005.

Mesmo assim, o brasileiro de 38 anos, segue com moral. "O Rubinho fez uma temporada excelente (em 2010) com o carro que tem. A Williams é uma equipe de nome, mas que nos últimos anos não tem mais apoio de uma fabrica, não tem a estrutura necessária para brigar pela Fórmula 1. Ele fez uma temporada excelente", analisou o paranaense Enrique Bernoldi, ex-piloto da Arrows, em entrevista ao Terra.