'Mago' dos times pequenos volta a assombrar gigantes do Rio

RIO - Em 1995, Alfredo Sampaio tinha 36 anos. Foi quando chegou ao Esporte Clube Barreira, seu terceiro clube como treinador profissional até aquele momento. Na época, conquistou o acesso à elite do futebol carioca pela primeira vez em mais de 30 anos de vida da extinta equipe barreirense. Nas voltas que o mundo dá, anos depois, o Barreira se transformou no Boavista Sport Club. Alfredo chegou para o Estadual de 2011 e se aproxima de mais um feito inacreditável.

Neste domingo, na final da Taça Guanabara, o Boavista tenta o título do primeiro turno contra o Flamengo de Ronaldinho, que não perdeu nenhuma partida em 2011. Seria o segundo feito milagroso da equipe de Alfredo Sampaio, que avançou às semifinais de forma inacreditável com gol marcado nos acréscimos. E, depois, superou o Fluminense nos pênaltis.

"Nosso primeiro objetivo era pontuar o suficiente para ficar fora da briga pelo rebaixamento e para ter vaga na Série D. Mas posso dizer que tínhamos a intenção de ir longe. Era esse objetivo que eu queria buscar. Não tinha certeza disso, mas trabalhamos com esse entusiasmo", lembra Alfredo Sampaio em entrevista ao Terra.

Ir longe, aliás, é algo que ele conhece muito bem. Com o Madureira, foi campeão da Taça Guanabara e, consequentemente, vice-campeão carioca. No ano seguinte, com o mesmo clube, foi finalista da Taça Rio - caiu contra o Flamengo. Alfredo Sampaio compara os trabalhos com o Boavista: "são equipes sem investimento, mas com duas diretorias que tinham qualidade e entusiasmo", acredita.

Sampaio também lembra dois pontos em comum para Madureira e Boavista - e que muitas vezes faltam aos grandes. "Ambos têm estrutura boa. Pagam em dia e o trabalho diário dentro em campo é muito bom", elogia. Atualmente, Flamengo, Vasco, Botafogo e Fluminense têm espaços deficitários ao que é utilizado pela equipe de Alfredo no dia a dia.

De passagem, porém, ele critica as equipes menores do futebol carioca. "Acho que falta ambição em nível nacional. Só se contentam em jogar por quatro meses. Em São Paulo, por exemplo, muitos chegam à Série A e à Série B".

 

A relação com os clubes grandes

Mas não bastaria a qualidade da infraestrutura se não houvesse bons jogadores à disposição. Nomes como o atacante Tony (ex-Ceará e Botafogo), o centroavante Max (ex-Palmeiras) e o meia Leandro Chaves (ex-América-RJ) se destacam.

"Essa base já vem do ano passado, mas trouxemos alguns jogadores como o goleiro Thiago (ex-Avaí)", conta o treinador. Ele prefere, porém, não citar quem pode sair para clubes maiores. "Ainda podem trabalhar mais, evoluir. Estamos sobrando pelo coletivo".

Tanto quanto os jogadores, Alfredo aguarda ainda por uma nova chance em clubes grandes. Em 2008, em parceria com Romário, fez trabalho razoável com o Vasco, somando 12 vitórias, um empate e cinco derrotas - foi demitido após perder em casa para o Volta Redonda, mas foram divergências com Edmundo que selaram sua queda.

"É claro que a gente espera uma nova chance (em clubes grandes). O trabalho com o Boavista vai fluindo e a gente vai ganhando em visibilidade. Esperamos que aconteça, mas não fico muito preso a isso. Deixo acontecer". Por ora, seu nome não é especulado em times maiores. Mesmo assim, Alfredo Sampaio consegue manchetes positivas. Tem sido dessa forma nos últimos anos.