Clubes do Rio negam opção política: "é nosso grito de independência"

A união de Flamengo, Fluminense, Vasco e Botafogo para rediscutir as formas de negociações dos direitos de transmissões do Clube dos 13 é vista pelos representantes como "um grito de independência". Nesta quinta-feira, os presidentes Patrícia Amorim, Peter Siemsen, Roberto Dinamite e Maurício Assumpção, respectivamente, se reuníram na Barra da Tijuca para explicar a insatisfação com os rumos da entidade e negar qualquer tipo de desligamento, assim como fez o Corinthians na última quarta. Para os cartolas cariocas, o descontentamento é meramente comercial e não se trata de político.

"Estamos filiados ao Clube dos 13, só estamos extremamente pragmáticos com a negociação dos direitos de transmissão. É um grito de independência em relação à situação atual, que na verdade é um bem maior de trazer toda essa discussão", disse o tricolor Siemsen, que no entanto não descarta um possível rompimento no futuro, caso o panorama não apresente mudanças. "Não estamos deixando o Clube dos 13, o que não impede de tomar essa decisão mais para frente, olhando para o mercado".

Bastante participativo na entrevista, o presidente do Fluminense criticou a maneira que a entidade comandada por Fábio Koff tem negociado os direitos de transmissão com televisões. "Não foi um passo político, foi um passo comercial. Temos que tratar o futebol como negócio e você tem dados para isso. Se estivéssemos fazendo política, estaríamos aqui fazendo ameaças, falando de valores, de quem ganha mais. O Clube dos 13 é uma associação que nos pertence e tem que estar preocupada com a situação dos clubes. Não é assim: 'a partir do momento que você pega dinheiro aqui, você deve serguir como cordeirinho'", disse.

A cobrança agressiva por mudança foi seguida por Assumpção, que foi claro ao dizer que os clubes do Rio de Janeiro não terão participação apenas na "assinatura" de contratos. O botafoguense citou a oportunidade que a Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016 representa para elevar os valores atuais. "É uma questão que vai mudar a nossa vida nos próximos três ou quatro anos. Não queremos isso neste momento de definição do contrato mais importante do clube nos próximos anos", disse.

"Temos uma oportunidade única no Brasil de os clubes resolverem muitos dos seus problemas. O processo não estava sendo gerido por nós, e aí pensamos: 'não dá para dar esse passo gigantesco, com alguém gerindo esse processo e nós só assinando documento'. Não vai ser assim. Nós não vamos aceitar", afirmou Assumpção, que prevê ainda representantes de outros Estados serão incluídos nas reuniões em breve e acredita em um "desfecho favorável" na negociação entre clubes, entidades e emissoras.

Flamengo e Vasco também manifestaram suas opiniões e destacaram o ineditismo da "união carioca". Para Patrícia Amorim, a intenção não é a criação de um outro campeonato. "Não tem por parte dos clubes do Rio de Janeiro o pensamento de formar uma liga alternativa. Não é uma união política, é uma união de pensamentos similares. Estamos com o mesmo problema para resolver. E vimos que unidos fica mais fácil", disse, contando com o apoio de Roberto Dinamite. "Não é simplesmente uma negociação financeira, é a forma como a sua marca é exposta. Acho que isso é inédito sim, a união dos quatro grandes do Rio. Tudo isso estará sendo colocado em uma pauta para melhorar para o futebol brasileiro".