Fabiana Murer credita sucesso a intercâmbio com Isinbayeva e Petrov

SÃO PAULO - É inquestionável que a evolução do salto com vara no Brasil se deve ao técnico Elson Miranda e à atleta Fabiana Murer, uma das melhores do mundo na modalidade. Mas nenhuma das medalhas de Murer seriam possíveis se não fosse por duas pessoas: Yelena Isinbayeva e Vitaly Petrov, técnico da russa que já trabalhou com ninguém menos que Sergey Bubka, o melhor saltador com vara da história. E o que tornou Murer a principal adversária de Isinbayeva nas competições da modalidade foram os intercâmbios entre as duas atletas nos últimos anos. Vitaly e Elson costumam trocar experiências e informações sobre treinamentos.

"Foi essencial esse intercâmbio entre nós. Se não fosse isso eu não estaria saltando o que estou saltando hoje. Ele (Vitaly Petrov) ensinou o que é salto com vara. A técnica é devido ao que ele ensinou. É claro que hoje o Elson tem as idéias dele e acaba mudando algumas coisas, mas é tudo tendo como base o que o Vitaly ensinou. Mesmo assim ele só passa o conhecimento e o atleta executa. Se o atleta não consegue fazer não tem como ter sucesso. Depende de cada pessoa, de cada atleta. A Yelena é mais forte e mais veloz, mas eu também consigo fazer os resultados", afirmou Murer.

Elson concorda com Fabiana e acrescenta que essa convivência entre a brasileira e a russa fez com que Murer percebesse que a adversária não é um "bicho de sete cabeças". "Para mim foi de primordial importância. Credito a evolução do Fábio (Gomes, atleta do salto com vara) e do Thiago (Braz, atleta do salto com vara), a isso. O Vitaly contava histórias do Sergey Bubka e experiências dele. Todo parâmetro de treinamento é importante. Você vê que o bicho não tem sete cabeças, mas uma só".

No entanto, nesta temporada Vitaly preferiu manter distância de Elson e Fabiana. O ucraniano percebeu que a brasileira se tornou a principal ameaça a Isinbayeva e afirmou que a competitividade entre as duas está muito grande para treinarem juntas.

"Eu particularmente acho que não tem que manter essa distância, porque se o atleta está seguro do que vai fazer, ele vai lá e faz. Mas o Vitaly acha que tem que manter distância, tanto é que ele acha que esse ano nem temos que fazer esse intercâmbio. Ele disse que não queria porque agora aumenta a competitividade. Talvez eu seja um pouco ingênuo ou não entenda o valor da competição, mas quero que a Fabiana ganhe e ele quer que a Yelena ganhe. É claro que ele fica contente quando a Fabiana conquista um bom resultado, mas o trabalho dele é com a Yelena", disse Elson.

Apesar disso, Petrov estará no Brasil em março deste ano, mas sem Isinbayeva. A russa detém o recorde mundial da prova, com 5,06 m, contra 4,85 m de Fabiana Murer, recordista brasileira e sul-americana da modalidade.

"O Vitaly voltará ao Brasil para direcionarmos o trabalho das atletas. Agora somos um país olímpico e o trabalho está crescendo aqui. Ele quer ver como estão as coisas", explicou Elson, referindo-se à Olimpíada de 2016, que será realizada no Rio de Janeiro.

Mas Elson confessa que Petrov também aprendeu muito com os brasileiros. "Ele está acostumado a trabalhar com grandes atletas e achava impossível a Fabiana fazer o que faz. Depois que ele viu, percebeu que era possível desenvolver um trabalho em cima de um atleta determinado. Vejo vários atletas passando no CT do Vitaly e não conseguindo resultados. Ele ficou surpreso com esses resultados da Fabiana e hoje o Brasil é referência no salto com vara".

Fabiana, inclusive, não vê a hora de voltar a ter a rival e amiga Isinbayeva nas pistas. Segundo a brasileira, ver a russa competindo é uma forma de motivação para melhorar ainda mais e seguir ganhando medalhas.

"É bom para o esporte mundial. Para mim também, porque é uma competitividade maior. Sei o quanto tenho que saltar. Não penso em ganhar competição, penso em fazer um bom resultado, porque a medalha é consequência. Ela está tentando mudar algumas coisas na técnica e pode levar algum tempo para se adaptar, mas ela nasceu para isso, é coordenada, tem força, então pode ser que ela já bata o recorde mundial de cara", concluiu Murer.