Alemães e italianos dominam "time de olheiros" no Sub-20

 

O alemão e o italiano concorrem com o espanhol como língua mais falada no setor vip dos estádios do Sul-Americano Sub-20 do Peru. Observadores que trabalham para clubes destes dois países são maioria absoluta na caça de novos talentos para abastecer o mercado europeu.

Em apenas dez minutos no local, a reportagem do Terra identificou representantes do Verona, Parma, Catania, Juventus, Atalanta, Inter de Milão, Milan, Genoa e Udinese antes da rodada dupla de Bolívia x Paraguai e Brasil x Colômbia, no Estádio Jorge Basadre, em Tacna.

Um deles, Gabriel Wainer, veio na companhia do filho para observar jogadores para a Udinese. Arredio, disse que não comentaria sobre futebol. Mas contou que tem viajado de Arequipa, principal sede do torneio, para Tacna em todos os dias de partida.

Já um grupo de olheiros que representam clubes alemães não se desgrudam. Sempre juntos, trocam informações e indicam aqueles jogadores desconhecidos que tem características adequadas para o futebol do país. "Tem mais de 10 times alemães aqui", disse um olheiro que não quis se identificar.

Os observadores em geral não são muito de conversa. Quase nenhum gosta de falar seu nome e para que clube trabalha, apesar de os crachás mostrarem quem representam. Um deles, que observa jogadores para o Genoa e não quis contar seu nome, brincou e disse que a sua profissão é perigosa.

Para facilitar o trabalho dos olheiros, empresários e agentes Fifa circulam livremente pela área vip já à espera de propostas para abrir negociações. Emanoel Ricchi e Eugênio Ascari estão nesta condição e servem como guias de Atalanta, Parma, Catania e Atalanta.

Eles se encarregaram de conseguir credenciamento para os olheiros terem acesso ao melhor local de observação, no meio do campo. "Foi difícil, mas eu conhecia um pessoal da Conmebol e deu tudo certo no final", diz Emanoel, italiano que vive há três anos no Brasil.

No momento, dizem que só representam jogadores venezuelanos e dão um aviso que pode dar um alívio para os times do Brasil. "O mercado brasileiro está inflacionado. Os atletas estão muito caros e têm contratos bons com os clubes".