Internacional faz despedida melancólica por "honra" no Mundial

ABU DHABI - O Internacional pode marcar dez gols e conseguir uma goleada histórica contra os sul-coreanos do Seongnam, mas nada mudará o clima melancólico de sua despedida no Mundial de Clubes, neste sábado, às 12h (de Brasília), em Abu Dhabi.

Três horas mais tarde, também no Estádio Zayed Sports City, a Inter de Milão entrará em campo para enfrentar o Mazembe pela decisão. Ao mesmo tempo, o time brasileiro já vai estar preparado para deixar o local, voltar ao hotel e arrumar a mala de volta a Porto Alegre. Triste ironia para quem chegou com expectativa alta pelo bicampeonato mundial.

Neste clima de desolação pela vexatória derrota para o Mazembe, o Internacional tenta dar algum sentido para uma disputa de terceiro lugar. A palavra honra se tornou recorrente na indesejada preparação para um jogo que, se dependesse da vontade dos jogadores, não aconteceria.

"É difícil amenizar a nossa dor, mas temos um compromisso com o clube e vamos tentar sair com terceiro lugar", disse o meio-campista Tinga, um dos mais abatidos pela derrota. O jogador classificou o vexame como o mais decepcionante de sua carreira.

O técnico Celso Roth ainda tenta passar uma mensagem mais positiva. "Não tem nada melhor que depois de uma derrota assim, jogarmos logo em seguida para virar a página", disse o treinador, passando a sensação de uma frase construída para de alguma forma motivar o elenco.

Independente do resultado, o Internacional deve passar por uma reformulação nas próximas semanas. Com contrato até o final do ano, dificilmente Roth terá o vínculo prolongado. Ainda mais depois de uma entrevista em que expôs falhas da diretoria - presença de um atleta a menos em Abu Dhabi e saída de Sandro e Taison - e do ataque colorado.

"O jogo não fui ruim. Bom foi o aproveitamento do Mazembe e os profissionais sabem disse. Eles chutaram praticamente duas vezes e foram eficientes", disse, com razão. Foram 23 chutes ao gol e nenhum deles balançou as redes do time africano.

Até por isso, a partida deve marcar a despedida do atacante Alecsandro, escolhido como bode expiatório por parte da torcida e diretoria. O jogador foi mantido, assim como todo o restante dos titulares, mas mesmo se tiver uma atuação de gala não deve se redimir.

Asiáticos

O Seongnam, da Coreia do Sul, em um aspecto teve uma atuação parecida com a do adversário nas semifinais. Chutou 17 vezes ao gol da Inter de Milão, mas não fez e perdeu por 3 a 0. Sem três titulares - zagueiros Sasa Ognenovksi e Byun Kuk Cho e o meio-campista Kwang Jin Cheon -, busca uma vitória que significa muito mais para o continente.

Um dos destaque é o meio-campista Molina, ex-Santos, que acha possível surpreender. "Não sabemos como eles vão entrar em campo. Se eles vão estar desanimados pela derrota. Mas vamos buscar este terceiro lugar que é importante para a Coreia do Sul", disse.

Quem

Inter: Renan; Nei, Bolívar, Índio e Kleber; Wilson Mathias, Guinazu, Tinga e D'Alessandro; Rafael Sobis e Alecsandro. Técnico: Celso Roth

Seongnam: Sung; Ko, Hong Chul, Jang Suk Won e Choi; Dong Cho, Radoncic, Molina e Sung Kim; Hong e Jo Quando: 18 de dezembro (sábado), às 12h (de Brasília)

Onde: Estádio Zayed Sports City, em Abu Dhabi (Emirados Árabes Unidos) Por que?: decisão do terceiro lugar do Mundial de Clubes, torneio que reúne os todos campeões continentais do mundo.

Para ficar de olho:< br> - reação da torcida colorada após o vexame contra o Mazembe; 

- aproveitamento dos ataques de Inter e Seongam, pífios nas partidas semifinais;

- técnico Celso Roth, que pode fazer a sua última partida pelo Internacional;

- Molina, jogador que teve passagem pelo Santos e é o melhor jogador do time sul-coreano