Inter usa "peso da camisa" para evitar zebra e decidir bi mundial

ABU DHABI - Favorito contra o Mazembe pelo passado recente de conquistas, time mais qualificado e histórico do torneio, o Internacional estreia no Mundial de Clubes nesta terça-feira, às 14h (de Brasília), no Estádio Mohammed Bin Zayed, em Abu Dhabi, com a obrigação de se classificar à final e evitar uma zebra inédita.

Desde que a Fifa assumiu o controle (em 2000 e a partir de 2005 de forma definitiva) e campeões de outros continentes passaram a disputar o título, o Mundial sempre teve uma final entre sul-americanos e europeus.

Se por um lado o fato mostra uma disparidade entre os times, por outro aumenta a pressão para não ser vítima do que a princípio será classificado como vexame, independentemente da qualidade adversária.

"Esse é o maior perigo (pensar na final). É o caminho das pedras", disse o técnico Celso Roth, em uma clara indicação de que clube sabe dos perigos da semifinal e evita fazer prognósticos para uma possível decisão contra a Inter de Milão, que valeria o bicampeonato mundial para os colorados.

E é justamente o peso das conquistas recentes e da camisa um dos apoios do clube brasileiro para a semifinal. Bi da Copa Libertadores, campeão da Copa Sul-Americana e detentor do título mundial de 2006, o Internacional é um time acostumado a jogos do tamanho deste de terça-feira, enquanto o Mazembe, bicampeão africano, ainda sofre pela inexperiência internacional.

"O Inter desde 2006 cresceu muito. Chegamos aqui com o bicampeonato da América e com um Mundial na bagagem. Temos vários títulos internacionais e isso pesa bastante neste momento. A gente espera que possamos contar com isso dentro de campo. Os adversários que vão nos enfrentar já entram conhecendo bem quem somos nós", disse Roth.

Por outro lado, o técnico se esforça para que o Inter concentre sua energia na semifinal. Ele estudou o Mazembe e repetiu ao longo da semana que o time da República Democrática do Congo será um adversário difícil de ser batido. "O futebol africano está crescendo e eles taticamente são muito fortes", disse.

Já o Inter chega com uma preparação que, apesar de contratempos como atraso no voo e impossibilidade de inscrever o 23º jogador, esteve perto do ideal. O time titular já está definido há algum tempo e Roth conseguiu, nos treinamentos em Abu Dhabi, ajustar os últimos detalhes de posicionamento. Agora é colocar em prática.

"O jogo sempre tem que ser disputado. Se não for levado com determinação, ninguém ganha nada. Estamos em um mundo capitalista e competimos sempre em qualquer função, ainda mais na esportiva. Se tivermos isso na cabeça, podemos transformar um jogo difícil em um bom jogo", completou. 

 

Força africana

O Mazembe mostrou contra um Pachuca um jogo de força física, disciplinado taticamente e com rapidez suficiente para ganhar um jogo no contra-ataque. O técnico Lamine N'Diaye acredita na surpresa e ainda ficou irritado com insinuações de que o time africano se resume à força física.

"Os africanos são fortes. Nós estamos melhorando a cada dia. Já é tempo de levar isso em consideração. Eles têm habilidade e força física, mas também são inteligentes dentro de campo. Isso um dia será levado em consideração", disse.

Em relação ao time que enfrentou o Pachuca, é esperada apenas uma modificação. Expulso, Sunzu deve dar lugar a Kasongo, jogador muito elogiado por Roth que começou a partida de estreia entre os reservas e só entrou no segundo tempo.