Homenageado no Morumbi, Jofre critica pouco espaço ao boxe

 

Aos 74 anos, Éder Jofre segue imbatível nos golpes diretos. Ou ao menos nas declarações diretas. Ao ser homenageado em sua casa, o estádio Morumbi do clube do coração São Paulo Futebol Clube, o galinho de ouro, como ficou conhecido por seus títulos na categoria peso galo, não poupou o País de críticas pela pouca atenção que dá ao boxe e a outros esportes. "Falta apoio ao boxe, sempre faltou. Se deixar é futebol no café, futebol no almoço, no lanche e na janta", disse o ex-pugilista.

O veterano do boxe teve na noite desta quinta os 50 anos da conquista do seu primeiro mundial celebrados com a volta da exposição "Galo de Ouro-Coração Tricolor", no Memorial do estádio. Além de maior atenção aos esportes por parte do público, Jofre cobrou patrocínio para outras categorias esportivas. "Falta patrocínio, um país com o tamanho do Brasil teria muito mais destaque com um pouco mais de investimento".

Cobranças à parte, o paulistano de Peruche mostrou enorme amabilidade. Ao conferir as fotos de época da exposição, se emocionou. Posou para fotos fazendo jabs imaginários. E recordou com precisão do momento em que venceu o mexicano Eloy Sanchez. "Naquele momento é só você no ringue e milhões de brasileiros do lado de fora torcendo. Vi minha mãe. E pensei: 'agora eu vou ganhar ou me arrebentar aqui dentro! E o juiz levantou meu braço e eu ganhei", lembrou.

Jofre agradeceu ao São Paulo pela lembrança do título e afirma que considera ter uma vida boa. "Eu comprei casa, apartamento, casa e carro com o boxe", disse. Considerado por especialistas um dos maiores da história dos ringues brasileiros, ele brinca ao ser questionado sobre a possibilidade de haver um novo Jofre. "Meu pai e minha mãe morreram, então é difícil."