Ao som de "o Coritiba voltou", jogadores comemoram acesso

Com a vitória sobre o Duque de Caixas, por 3 a 2, na última terça-feira, pela Série B do Campeonato Brasileiro, o Coritiba garantiu matematicamente o acesso à primeira divisão do futebol brasileiro e supera uma crise sem precedentes na história do clube.

"O Coritba voltou", esse era o coro dos jogadores após o final da partida no Rio de Janeiro, mas não era apenas para comemorar o retorno à Série A, e sim também um grito de desabafo. Depois de ser rebaixado no ano em que comemorava 100 anos, em uma partida que ficou marcada pela insanidade da invasão dos torcedores em campo e receber a maior punição já aplicada à um clube brasileiro, os jogadores do Coritiba se uniram em torno do técnico Ney Franco e colocaram um objetivo em mente, voltar à primeira divisão.

Quem dirigia o time na ocasião da queda era justamente Ney Franco, homem que foi um dos responsáveis pela campanha do Coritiba na temporada, "Quando uma equipe cai, normalmente o primeiro que vai é o treinador. E o que me fez ficar foi a procura do clube para que eu desenvolvesse um projeto", disse Ney, que encarou o ano de 2010 como um desafio.

"Coloquei isso como um desafio pessoal para mim. Sabia que seria um ano difícil, mas defini que ao final desta temporada gostaria de poder olhar para trás e ver que aquilo já passou", completou.

Fora de campo o clube passava por grandes dificuldades, com a perda de mando de 10 jogos da Série B do Campeonato Brasileiro, o Coritiba jogou todo o primeiro turno e também o início do segundo, fora de casa. Os jogos que deveriam ser no Couto Pereira fora transferidos para a Arena Joinville, 110 quilômetros de Curitiba, com isso o número de sócios caiu consideravelmente, no início da competição era de aproximadamente 8 mil sócios, menos da metade do que o clube tem hoje, com isso a receita também diminuiu, os prejuízos foram de cerca de 12 milhões de reais. Foi a vez da diretoria, renovada em 2010, entrar em cena e encarar os desafios financeiros sem deixar isso influenciar em campo.

"A coesão institucional esse ano, de uma diretoria que cumpriu seus compromissos, se programou, encontrou maneiras alternativas de manter um elenco qualificado foi nosso grande acerto. Fizemos sempre um processo democrático nas decisões. Hoje tem uma harmonia muito grande entre todos os profissionais do Coritiba¿, disse o presidente alviverde, Jair Cirino.

Apesar das diversidades foram 20 vitórias em 35 jogos, um aproveitamento de 63,8%, e o acesso à Série A com três rodadas de antecedência. Uma campanha invejável, mas que para os jogadores ainda não acabou, o foco da equipe agora é o título da competição.

"Passamos um ano com muita desconfiança, o começo do ano foi difícil. Conquistamos o Paranaense, mas ainda entramos desconfiamos na Série B. Mas com determinação superamos tudo, e agora vamos em busca do título, porque a torcida merecem e o grupo quer muito isso", afirmou o meia Rafinha. A equipe alviverde ainda tem pela frente o Figueirense, concorrente direto pelo título, o Icasa e o Guaratinguetá na reta final da Série B.