Conheça um pouco mais da carreira de Carpegiani

O novo treinador do São Paulo, Paulo César Carpegiani, está muito longe de ser uma novidade no cenário dos clubes grandes. Aos 61 anos, com quase quatro décadas dedicadas ao futebol, ele revive agora uma sina em sua trajetória como técnico: muitos altos e baixos.

É claro que este é um momento importante na carreira do gaúcho de Erechim: Carpegiani deixa o Atlético-PR, de poucos investimentos, na quinta posição do Campeonato Brasileiro, e assume um dos cargos mais desejados por sua classe, o comando do São Paulo. Desde 2007, quando deixou o Corinthians que seria rebaixado com Nelsinho Baptista, ele não dirige um dos considerados grandes do Brasil.

PC Carpegiani, em 1981, começou sua carreira como treinador atingindo o topo em poucos meses: o Flamengo campeoníssimo da década de 80, em que ele atuara, havia sido projeto por Cláudio Coutinho, que deixou o clube no início da temporada. Dino Sani e Modesto Bria passaram rapidamente pela Gávea, mas foi Carpegiani quem venceu a Copa Libertadores e o Mundial Interclubes.

Ao contrário da expectativa, Carpegiani não se confirmou como um treinador de primeira linha, passando sem sucesso por Internacional, Náutico, Bangu, Coritiba e, enfim, em 1990, pelo Palmeiras. O insucesso em tempos difíceis pelo Palestra Itália o levou para uma vitoriosa experiência pela América do Sul.

O treinador foi campeão nacional pelo Cerro Porteño, em 1994, e se credenciou para assumir uma até então insignificante seleção do Paraguai. Carpegiani fez grande Eliminatória, terminando só um ponto atrás da líder Argentina. Na Copa do Mundo, foi até a morte súbita das oitavas de final, contra a eventual campeã França, em um dos mais marcantes jogos daquele Mundial.

Perto do topo, novo declínio

Cabeça a cabeça com Vanderlei Luxemburgo, Carpegiani disputou a preferência popular para a Seleção Brasileira, mas não acabou indicado. Foi então convidado pelo São Paulo, clube em que chegou até as semifinais do Paulista e do Brasileiro. Em ambas, caiu diante do Corinthians, selando assim a passagem pelo Morumbi. O treinador retornou ao Flamengo, mas durou só três meses, e ainda passou também rapidamente pelo Cruzeiro.

Um novo projeto, então, se tornou a prioridade profissional de Carpegiani, que se juntou a investidores e criou o RS Futebol. Na equipe, que esteve perto do acesso à Série B nacional, havia forte apelo para formação de atletas. Assim surgiram Thiago Silva, Éderson e Naldo, todos já convocados para a Seleção. Outro nome importante foi o diretor Rodrigo Caetano, hoje dirigente do Vasco.

Coube ao Corinthians, em 2007, convencer Carpegiani a retomar a prancheta. O treinador teve início promissor e chegou a liderar rodadas iniciais do Brasileiro. Acabou demitido depois de um princípio de crise antes do fim do primeiro turno e não ficou tão marcado pelo rebaixamento.

Após um novo retiro, Carpegiani assumiu o Vitória no ano passado, foi campeão baiano e teve bons momentos no início do Brasileiro. Por divergências internas, saiu na 18ª rodada na 10ª posição - com Vagner Mancini, o clube terminaria a competição em 13º.

Carpegiani assumiu um Atlético-PR em crise, na 15ª posição e que era comandado por um interino havia três meses. Ajeitou a defesa, organizou a parte ofensiva e decolou 10 posições na tabela após 20 jogos. Nesse período, arrancou 11 vitórias, sendo oito por um gol de diferença.

Foi o suficiente para Carpegiani seduzir o São Paulo e assim, mais uma vez, se ver em um momento de alta na carreira.