Atrás dos Novos Menudos, São Paulo já prepara o 3º garoto

Se formos nos basear nos anos mais recentes, pode não parecer verdade, mas poucos clubes brasileiros têm a tradição do São Paulo em montar times recheados com pratas da casa. Houve o Expressinho de Muricy Ramalho, em 1994, o campeão do Rio-São Paulo de 2001, com Vadão, e os Menudos de Cilinho, que conquistariam o Campeonato Brasileiro de 86 já sob o comando de Pepe. Esse passado, enfim, serve de inspiração para o futuro, e já vai se desenhando no presente.

Em meio à turbulenta campanha de Campeonato Brasileiro deste ano, o São Paulo já vê dois garotos de 18 anos, Lucas e Casemiro, assumirem a titularidade de forma absoluta e incontestável. Isso é apenas o começo do que pode, e deve, se concretizar em 2011. O terceiro garoto dessa história é Zé Vítor, 19 anos, que recebeu o Terra para uma entrevista exclusiva.

Pinçado por Sérgio Baresi, Zé Vítor apareceu de verdade pela primeira vez contra o Palmeiras, no Pacaembu, ainda no primeiro tempo

A atuação foi discreta, mas o time venceu graças ao também garoto Lucas, que marcou gol e deu assitência. Ali, Zé definitivamente foi entrando nos planos. Internamente, a expectativa é que ele vá sendo usado nas próximas rodadas para buscar a titularidade definitiva em 2011.

Clássico

O candidato a Novo Menudo do São Paulo tinha só 14 ou 15 anos, mas já era íntimo das arquibancadas do Morumbi. Se havia um clássico/jogo importante, Zé Vítor estava lá, adolescente, torcendo. "Quando o Baresi me chamou para entrar contra o Palmeiras, só passou vontade na minha cabeça. Queria muito jogar. A gente cresce nisso, vendo esses jogos, quarta e domingo. Sonhava em estar dentro de um também", conta o pupilo tricolor.

Foi no final de 2004 que chegou ao São Paulo. Entre 20 garotos que vieram de Ourinhos para realizar testes, só ele e mais dois ficaram pelas semanas seguintes. Hoje, de verdade, Zé Vítor é o único remanescente de toda a turma. Naqueles tempos, era um meia ofensivo e fazia seus golzinhos, sendo até artilheiro em alguns campeonatos. Graças a um outro Zé, o Zé Sérgio, ele se transformou em um volante forte e de ótima chegada ao ataque.

"Ele conversou bastante com o Bebeto (outro treinador da base) e me mudou para volante. Queriam alguém que chegasse de trás, que tivesse força, e fui me adaptando", conta.

Zé Sérgio, um dos mais talentosos pontas da história do futebol brasileiro, é o treinador dos juvenis do São Paulo há vários anos. "Era um esquema ofensivo, com três volantes: Casemiro mais atrás, eu na direita e Mateus na esquerda. O sistema de jogo me permitia chegar à frente", explica.

Esse conjunto forte cansou de render títulos às categorias que tinham Zé Vítor: Dallas Cup, tradicional nos EUA, etapa brasileira da Copa Nike, com dezenas de outros clubes, dois torneios Mundiais na Espanha e, por fim, em janeiro deste ano, a Copa São Paulo. A taça que encorajou os dirigentes são-paulinos a, enfim, permitir a ascensão de jovens até o time principal.

Menudos

O desgaste no estilo de jogo mecânico e competitivo trazido por Muricy e mantido com Ricardo Gomes têm feito, enfim, o São Paulo apostar nessa fórmula que já deu certo no Morumbi. Se Juvenal Juvêncio tiver pulso firme e não contratar mais uma penca de jogadores médios, como Carlinhos Paraíba, Léo Lima e Marcelinho Paraíba, será natural a ascensão dos garotos como Zé Vítor em 2011.

"Não adianta pensar no time que vão montar, a gente não sabe o que vai acontecer no ano que vem, quem estará aqui. Trabalho para ficar, ter oportunidade e ajudar o time. Estamos pensando só no Brasileiro", observa Zé Vítor, que não vê com tanta preocupação a posição ruim na tabela da Série A. "Se acertar dois ou três jogos, a gente tranquiliza e chega perto. A distância é curta, mas é lógico que precisa melhorar, estar na frente".

Resta saber, então, até que ponto a campanha irregular no Campeonato Brasileiro vai afetar a perspectiva que se desenha para 2011. Sérgio Baresi, interino, vinha sendo mantido para trazer jovens como Zé Vítor, mas foi criticado pelo presidente Juvenal Juvêncio nesta quinta. "Ter ele é uma grande ajuda, porque nos conhece bem, tem mais confiança e sabe o potencial e onde cada um pode render melhor".

Companheiro de quarto e amigo pessoal de Casemiro, Zé só espera que o sucesso do também volante seja uma indicação para seu futuro no clube. "A gente se espelha nele", dis o candidato a terceiro Menudo do São Paulo.