Brasileiros veem jogos estranhos e Giba dispara: "regulamento de m..."

Classificados para a segunda fase e podendo escolher os rivais que quer pegar na terceira fase do Mundial, os jogadores da Seleção Brasileira de vôlei ficaram indignados com o rumo que o torneio está começando a tomar. Os resultados um tanto quanto estranhos nesta segunda fase, como a fácil derrota dos Estados Unidos para a República Checa e o tropeço surpreendente da Rússia para a Espanha, começam a causar suspeitas de um time estar perdendo com a intenção de pegar uma chave menos complicada na fase seguinte.

Para Giba, capitão da equipe brasileira, a culpa dessa situação é da organização do torneio, com o aval da Federação Internacional de Vôlei (FIVB). O jogador insinua, assim como muito já se foi falado desde o início da competição, de um suposto favorecimento à equipe da casa Itália, que na primeira fase teve adversários de menor expressão e assim deve ser até sua chegada nas semifinais.

O jogador afirma que o desempenho do Brasil no jogo amanhã contra a Bulgária será um ponto de interrogação, já que os brasileiros sentarão durante a noite para ver o que é melhor para o grupo. Até o fim do treino, a Seleção não sabia que a Rússia havia perdido da Espanha, o que pelo menos tira os russos do caminho do Brasil e evita um chamado novo "grupo da morte".

Se ficar em primeiro, a equipe de Bernardinho deve ver agora uma reedição dos adversários da primeira fase com Espanha e Cuba. Na segunda colocação, a Seleção encararia República Checa e o perdedor de Itália e Alemanha, um grupo na teoria mais fácil.

"Um campeonato ter um regulamento de m... destes não pode acontecer, que claramente escolhe para favorecer uma tricampeã, colocando em sua chave Irã, Egito e Japão. Isto é um pecado, um 3 a 0 da Bulgária amanhã seria um assassinato ao voleibol. Amanhã vai ser a gente querendo perder e eles fazendo de tudo para não vencer, enfim um jogo ridículo".

As críticas de Giba não se restingiram apenas ao regulamento, o jogador disparou também contra a logística disponível para a Seleção Brasileira. "A gente pediu para viajar no dia do jogo porque demoramos sempre para dormir e estamos ainda na adrenalina para pegar uma viagem. Eles não deixam. Fazem a gente acordar cedo no dia seguinte, sair às 9h e chegar cansados da viagem a um dia do primeiro jogo (da terceira fase)".

Há cinco anos na Itália, o ponteiro João Paulo Bravo também acredita em um favorecimento claro para a seleção da casa. O jogador disse que a situação será péssima para a fase final do Mundial. "Todo mundo está falando mal do regulamento, não é só a gente. Ninguém entende o motivo de tanto privilégio, um caminho tão mais fácil para a Itália. Isso só deve enfraquecer as semifinais, porque devem cair duas ou até três fortes seleções no mesmo grupo".

Mais cedo, em entrevista ao Terra, o técnico Bernardinho já havia se posicionado de forma bem contrária também ao regulamento. "É realmente revoltante e decepcionante. Saio deste Mundial triste com o que o voleibol viveu, com elementos que não são do esporte. É um regulamento vergonhoso. Uma forma injusta, incorreta e antidesportiva de como a competição vem se desenvolvendo".