Debutante no cinema, São Paulo usa famílias para narrar hexa

Dassler Marques, Portal Terra

S O PAULO - A primeira incursão dos são-paulinos aos cinemas foi exibida nesta segunda-feira, em sessão fechada para a imprensa e pouquíssimos convidados. Soberano, seis vezes São Paulo, conta os títulos de 1977, 86, 91, 2006, 07 e 08, sequência que tornou o clube tricolor o mais vitorioso da história do Campeonato Brasileiro.

Sempre sob a perspectiva da família, Maurício Arruda e Carlos Nader, responsáveis por direção e roteiro, exploraram histórias curiosas, emocionantes e improváveis de torcedores são-paulinos anônimos. Claro, entrelaçadas a depoimentos de personagens fundamentais para o hexacampeonato: entre outros, Rubens Minelli, treinador campeão de 77, Careca, ídolo do time de 86, Raí, figura maior dos anos 90, e Muricy Ramalho e Rogério Ceni, artífices do inédito tri consecutivo dos anos 2000.

Soberano conta casos como o do marido que adiou a lua de mel pela final do Brasileiro, do jovem que venceu um câncer infantil graças aos gols de Careca, de um raro negro são-paulino na essencialmente corintiana Zona Leste de São Paulo ou ainda da torcedora que faltou ao velório do avô para ir ao Morumbi.

Em outro momento importante no que diz respeito às famílias, Soberano mostra como as conquistas são-paulinas da década de 90 provocaram "rachas". Filhos de palmeirenses, corintianos e santistas, entre outros, traíram os pais graças aos títulos que começaram no Brasileiro de 91. "Foi a grande virada após dois vices", lembra Raí, presente ao lançamento desta segunda.

Em cada uma das seis conquistas retratadas, o São Paulo também trabalhava sob a ideia de algum tipo de superação. "As qualidades do clube nos trouxeram dificuldade. Em Fiel, o Corinthians tinha um roteiro pronto. O difícil é que só se ganhava. Achamos curvas dramáticas para que se tornasse uma história fílmica", conta Carlos Nader.

Por isso, ganharam espaço histórias como a improvável vitória sobre o Atlético-MG de Reinaldo na década de 70, o gol nos acréscimos de Careca na década de 80 ou ainda a perfomance incrível de Rogério Ceni para o título brasileiro de 2006 após falha fatal na decisão da Copa Libertadores.

"É emocionante e retrata a história do São Paulo. Em bem menos de 100 anos, temos muito a comemorar", espeta Julio Casares, vice de marketing do clube, fazendo alusão ao rival Corinthians. Ao contrário de outros filmes de clubes brasileiros, a peça são-paulina não traz depoimentos de torcedores adversários.

Soberano estreia na próxima sexta-feira, dia 17 de setembro, em até 30 salas de cinema espalhadas pelo Brasil, de acordo com os produtores. Ainda nesta segunda, está prevista uma exibição no Shopping Jardim Sul, em São Paulo, apenas para convidados do clube.