Cara de choro e desolamento marcam retorno da seleção de basquete

Portal Terra

DA REDAÇ O -

Acabou a festa, acabou a alegria verde e amarela. Nada de mais de kebabs e expectativa para os torcedores brasileiros - poucos, é verdade - que se deslocaram até Istambul para acompanhar a Seleção Brasileira no Mundial Masculino de Basquete.

No dia do feriado da Independência do Brasil, quem sobreviveu foi a Argentina do técnico Sergio Hernandez, que segue no torneio com chances plausíveis de se sagrar vitoriosa. Luis Scola, o pivô-estrela desse Mundial, fez mais uma brilhante partida pelo time argentino e encestou 37 pontos no confronto sul-americano - oito pontos a mais que sua "modesta" média de 29 pontos por partida até então.

O Brasil também teve momentos de brilhantismo em quadra, disputando uma partida de gigantes até pouco tempo antes do término do jogo. Se por um lado nossos pivôs não apresentaram a consistência de que precisávamos, Marcelinho Huertas, o armador e capitão do time brasileiro, pareceu querer disputar com Scola o título de cestinha da partida, marcando 32 pontos.

O técnico Rubén Magnano, muito abatido logo após a derrota, citou um provérbio espanhol: "depois da guerra, todos são generais". Pode ser. O fato, entretanto, é que o Brasil mais uma vez perdeu no detalhe e chegou somente ao "quase".

Os três últimos minutos da partida foram exemplos clássicos de nossa inabilidade em manter o sangue frio e o foco no momento crucial e mais apertado do jogo. Muitos erros de passe, tentativas de bolas de três pontos em ângulos absurdos, mau aproveitamento nos lances livres, falhas na defesa e faltas tolas - rostos claramente nervosos em quadra.

Leandrinho, que acertou chutes fenomenais durante a partida, mais uma vez teve seu aproveitamento decrescendo ao longo do jogo e, como de costume, acabou custando alguns lances que poderiam ter feito a diferença na partida.

Ao término do último quarto, o quadro na Sinan Erdem Arena era inquietante - argentinos se ufanando, os parcos torcedores brasileiros desapareceram sem delonga, jornalistas atordoados na tribuna de imprensa e uma Seleção Brasileira frustrada e desolada, lutando para entender a derrota. Huertas saiu de quadra e passou pela zona mista chorando abertamente.

Varejão, mais uma vez arredio ao público e aos jornalistas, tentou sair pelos fundos. Rubén Magnano e seu número dois, Fernando Duró, estavam pálidos. Tiago Splitter, o único jogador do Brasil a comparecer na zona mista para tentar explicar o que acontecera, tinha os olhos marejados, o nariz vermelho e, muito comovido, por diversas vezes engasgou nas respostas e se controlou para não chorar na frente das câmeras.

A conferência de imprensa trouxe Scola e o técnico Hernandez do lado argentino. Huertas e Magnano representaram o Brasil. Após a troca de elogios costumeira, algumas explicações e sentimentos tentaram ser transmitidas. "O Brasil nos pressionou muito. Barbosa e Huertas estiveram muito bem", disse Hernandez.

"Podíamos ter vencido o jogo se não tivéssemos feito erros tão fáceis. Os argentinos foram bons no contra-ataque e não conseguimos lidar com isso. Nós perdemos e estamos tristes", reconheceu um ainda comovido Huertas.

Talvez a maior frustração do jogo com a Argentina, como disse o ala Marcelinho Machado poucas horas após o término da partida, ao embarcar de volta ao Brasil, seja o fato de jogadores, torcedores e comissão técnica terem plena consciência da habilidade de nossos jogadores e da qualidade do nosso jogo.

"Talvez não ficássemos tão tristes se soubéssemos que jogamos contra equipes muito melhores que a nossa e que não tivemos chance. Mas a gente teve chance", disse Marcelinho.

Ele tem razão. Tínhamos, sim, plenas condições de ter vencido a partida e estarmos classificados para as quartas de final contra a Lituânia. Tivemos também plenas condições de vencer o time dos EUA e, mais incrível ainda, da Eslovênia, apesar de o time europeu ter chegado a abrir 17 pontos de vantagem sobre o Brasil na primeira fase do Mundial.

Em ambos os casos lutamos até o final da partida,