William Kennedy e Colum McCann falam de criação de personagens na Flip

Luisa Bustamante, JB Online

PARATY, RJ - A mesa 11 da Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip 2010, mostrou que os autores sabem como conduzir seu próprio debate. Em uma conversa cordial, os escritores William Kennedy e Colum McCann falaram a respeito do desafio de criar bons personagens, e, se não fosse pelos ocasionais aplausos que arrancaram da platéia, os talvez tivessem se esquecido da sua presença ali. Isso porque, depois dos primeiros 15 minutos de apresentações e formalidades, McCann e Kennedy optaram por uma conversa cordial em que fizeram elogios um ao outro.

Os autores debateram, na tarde de sábado, na mesa "Albany, Nova York e outras ideias", que tinha como objetivo principal levantar a questão: falar da própria aldeia é o caminho mais curto para ser universal? Do tema eles entendem bem. O irlandês Colum McCann ganhou o National Book Award do ano passado pelo romance polifônico, "Deixe o grande mundo girar", que retrata a Nova York dos anos 70, lançado no Brasil recentemente pela Editora Record, enquanto William Kennedy, na sua série "ciclo de Albany", faz da pequena cidade um microscópio da sociedade americana.

No debate, os autores discutiram o desafio de criar grandes personagens. Para Kennedy, o escritor deve conhecer por completo os seus personagens. "Temos que conhecê-los, saber como eles são, o que pensam." explica "Porque, se não é assim, os personagens não ganham vida". McCann citou o exemplo de Tillie, uma avó prostituta que rouba as cenas do seu recente "Deixe o grande mundo girar". "Tentei por seis meses encontrar a voz dela." conta "Eu fiquei um ano e meio em contato com mendigos no Bronx, queria conhecer esses personagens que seriam criados, personagens que vivem no limite."