Terceira sessão de debates tratou de livros desconhecidos de Freyre

Álvaro Costa e Silva, JB Online

RIO DE JANEIRO - A terceira sessão de debates sobre a obra de Gilberto Freyre, o grande homenageado da Flip, reuniu hoje os historiadores Alberto da Costa e Silva, Maria Lúcia Palhares-Burke e Angela Alonso. A mesa teve como título "Além da casa grande" e tratou de livros menos conhecidos de Freyre.

O resultado agradou muito a plateia, que deixou a Tenda dos Autores enriquecida com as explanaçoes de Alberto da Costa Silva sobre "Nordeste", publicado em 1932, de Maria Lúcia Palahares Burke para "Ingleses no Brasil", de 1948, e de Angela Alonso para "Ordem e progresso", de 1952.

Alberto da Costa e Silva abriu sua fala comentando que "Nordeste trata de cavaleiros sádicos e degenerados, mas cavaleiros", numa referência aos senhores de engenho. Mas que, sobretudo, o livro aborda a cultura da cana-de-açúcar, que foi a responsável pela estabilização das culturas portuguesa e africana no chamado Nordeste úmido, "nas terras gordas do massapê".

Nosso mais conhecido africanista - autor de livros fundamentais como "A manilha e o libambo: a África e a escravidão de 1500 a 1700 - Costa e Silva ressalou que Freyre foi o primero dos explicadores do Brasil a dar importância ao negro, "que, tanto como branco, foi colonizador e civilizador".

Autora de "Gilberto Freyre: um vitoriano dos trópicos", Maria Lúcia Palahares Burke disse que o pouco comentado "Ingleses no Brasil" é obra de um apaixonado pela Inglaterra e sua cultura, um autor que não tinha pudor em afirmar que os poetas ingleses mais lhe ensinaram que o próprio Camões e que a língua inglesa, por sua facilidade, era um "peixe sem espinha".

A pesquisadora Angela Alonso restou a tarefa mais difícil, falar de um livro que, segundo ela própria, é mais citado que lido. "Ordem e progresso" integra o projeto de grande painel iniciado por Gilberto Freyre com a publicação de "Casa grande & senzala", e que teve sequência com "Sobrados e mocambos". "É um livro de sociologia proustiana, de prosa em espiral, uma obra mais de aliás que de finalmentes", explicou Angela.