Empresas faturam "reciclando" Meninos da Vila esquecidos

Portal Terra

DASSLER MARQUES - Não só de Neymar e Paulo Henrique Ganso vive o Santos, que assim como vários clubes brasileiros, às vezes perde bons valores feitos em casa por falta de espaço no elenco. De olho em jogadores disponíveis, algumas empresas vêm faturando com o que pode se chamar de reciclagem.

"A gente observa. Sou funcionário, tenho que encontrar jogadores que sejam comprados por um preço baixo e vendidos por um preço alto", explica Adriano Spadoto, diretor da Energy Sports, fundo de investimento que trabalha com a comercialização de jogadores.

A Energy é a empresa responsável por um lucro de 40% na operação que levou o lateral esquerdo Carlinhos ao Fluminense. Esquecido no Santos há dois anos, ele foi comprado por um baixo custo, disputou um Campeonato Paulista pelo Mirassol e outro pelo Santo André, quando explodiu novamente em 2010.

"Foi uma aposta da empresa. Na época, ele estava há muito tempo parado. Nesse ano, fez um belo Paulista e vendemos uma parte para o Fluminense. O Santos foi importante para ele, mas é que surgiu muito jovem, talvez desviou o foco em algum momento. Teve que baixar a guarda, mas agora está arrebentando", explica Adriano.

Não foi só na operação que levou Carlinhos ao Fluminense que a empresa teve lucro. O clube carioca possui 85% dos direitos econômicos, mas a Energy Sports preservou 15%, o que lhe permite recuperar mais uma boa quantia em caso de negociação do lateral com outra equipe.

Mais um Menino da Vila

Outro caso interessante é o do meia Rivaldo, recentemente adquirido pela Traffic e repassado ao Palmeiras. Revelado no Santos em 2004, deixou a Vila Belmiro há quatro anos e rodou por vários clubes até chegar ao Oeste, onde disputou o último Campeonato Paulista e se destacou.

Sempre atenta, a LA Sports, parceira do Avaí, adquiriu Rivaldo por um custo baixo. Aos 25 anos, ele só precisou de cinco partidas para transformar o clube catarinense, quinto colocado da Série A, e ainda impressionar Luiz Felipe Scolari. Versátil, atuou como meia, volante e até terceiro zagueiro.

Por apenas 50% de seus direitos econômicos, a Traffic pagou aproximadamente R$ 1,5 milhão. Um lucro fabuloso para a LA Sports, que só teve ele por dois meses e ainda pode retirar metade do valor de uma próxima negociação. Esse modelo de transferência é comum: um grupo menor repassa a um clube maior apostando em uma venda futura.

"Nós precisávamos de um jogador canhoto para o lugar do Léo Gago (negociado com o Vasco em janeiro). Vi ele jogando no Campeonato Paulista e contratei. Nosso trabalho é descobrir esses talentos", conta Luiz Alberto, dono da empresa que apostou em Rivaldo.