Muricy deu a palavra e cumpriu, diz cartola do Flu

Rodrigo Viga, Portal Terra

RIO - A diretoria do Fluminense não cansou de frisar a lealdade de Muricy Ramalho enquanto era pronunciada a permanência do técnico no comando do clube tricolor carioca, apesar do convite para treinar a Seleção Brasileira. O vice de futebol Alcides Antunes e o presidente da parceira Unimed elogiaram a postura do comandante, que, mesmo sem ter assinado a extensão contratual com as Laranjeiras até o final de 2012, manteve sua palavra e teve o caráter destacado pelos cartolas.

Muricy recebeu na manhã desta sexta-feira um convite de Ricardo Teixeira, presidente a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), para ser o novo técnico da Seleção. O treinador, ao deixar o encontro, frisou que precisava do aval do Fluminense para aceitar o convite. Já no final da tarde, Antunes, Barros e o mandatário Roberto Horcades anunciaram que o comandante tricampeão brasileiro pelo São Paulo entre 2006 e 2008 não seria liberado.

"Não quer dizer que batemos o pé firme (com a CBF), já sabemos que ele cumpre seus contratos", disse Antunes. "Vale ressaltar o caráter do homem Muricy. Ele tinha um contrato verbal e mostrou que o documento assinado é o que menos importa: se ele deu a palavra, cumpre", acrescentou.

Os dirigentes não haviam sido previamente avisados da reunião desta sexta do técnico com Teixeira, mas não se incomodaram. "(A CBF) Poderia ter ligado e conversado (com o Fluminense), mas de repente o presidente sabia que, se nos ligassem, responderíamos que não havia interesse em liberar o treinador. E não estávamos preocupados porque conhecemos o Muricy", declarou Alcides Antunes.

Caso tivesse acertado com Muricy e exigido a exclusividade do técnico para a Seleção, a CBF teria que pagar uma multa rescisória ao Fluminense. Os valores, entretanto, foram mantidos em sigilo por Celso Barros.

"Claro que existe (a cláusula), mas (os valores) são confidenciais", desconversou o presidente da Unimed, que disse não temer uma falta de motivação pela recusa do clube tricolor. "A motivação dele vai ser a mesma, ele gosta de trabalhar e treinar. Não vejo problema neste sentido", prosseguiu.

Lealdade sem "bônus"

Ficar no Fluminense até o final de 2012 e não iniciar o ciclo da Seleção Brasileira para a Copa de 2014 não renderá um bônus salarial para Muricy Ramalho. "Não existe isso, não houve modificação do que tinha sido acertado antes do convite da CBF. E não foi o salário que manteve o Muricy no Fluminense. Sabemos que, para ele, isso nem sempre é importante", finalizou Antunes.

A reunião entre Muricy e Teixeira foi dada em primeira mão pelo Terra, assim como as declarações do treinador de que "seria impossível" o Fluminense liberá-lo.