Amistoso da Seleção ganha tom político e feriado no Zimbábue

Portal Terra

HARARE - O amistoso das 10h30 (de Brasília) entre a Seleção Brasileira e Zimbábue ganhou um tom político. Autoridades do país exploram ao máximo a presença das estrelas brasileiras, em preparação para a Copa do Mundo da África do Sul. Também foi decretado feriado de meio expediente aos servidores públicos.

"Meninos do samba na cidade", estampou na manchete o jornal oficial The Herald. A assinatura de três acordos bilaterais entre Zimbábue e China, para estreitar laços econômicos, ficou em segundo plano na publicação desta quarta-feira. Hospedada no mesmo hotel da Seleção, a delegação chinesa teve, inclusive, seus segundos de glória ontem quando foi aplaudida por torcedores mais desavisados que aguardavam os jogadores brasileiros.

"Os pesos pesados do futebol mundial chegaram para o amistoso de alto nível com o Zimbábue", mostrou o The Herald, que traz declarações de um batalhão de políticos: ministro do turismo e hospitalidade; ministro da educação, esporte e artes; ministro do desenvolvimento e de energias; e ministro da tecnologia da informação e comunicação.

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) evita qualquer tipo de comentários sobre uso político do amistoso. Segundo a entidade, é apenas uma partida de preparação para a Copa do Mundo e, como de praxe, o chefe de Estado deve estar na tribuna de honra do Estádio Nacional de Esportes, na capital Harare.

O presidente Robert Mugabee e a União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF) governaram o país de forma autoritária desde a independência do Reino Unido, em 1980, até fevereiro de 2009. Depois, com o primeiro-ministro Morgan Tsvangirai, foi formado um Governo de Unidade com o Movimento para a Mudança Democrática (MDC).

As autoridades locais, inclusive muitos militares, desfilavam pelo lobby do hotel The Rainbow Towers na chegada dos jogadores. Com a presença também de curiosos e torcedores, o número de pessoas chegava a cerca de 250. Segundo o The Herald, a segurança foi "muito forte". Mas, na verdade, foi um desastre para os padrões de viagens da Seleção.

Não havia uma barreira entre torcedores e jogadores, apenas uma fita criava uma linha simbólica de separação. O cordão de isolamento, claro, foi facilmente desfeito com o assédio dos fãs e uma confusão foi armada - os jogadores ficaram encurralados na entrada dos elevadores, protegidos por não mais do que quatro policiais.

A previsão é de estádio lotado, com 60 mil pessoas. A Comissão de Serviços Públicos divulgou um comunicado ontem liberando os trabalhadores para acompanhar o jogo na parte da tarde - 15h30 no horário local será iniciada a partida. O governo colocará ônibus de graça para levar os fãs ao local da partida.