Zico quer melhorar estrutura do clube e se diz preparado para críticas

Tiago Leite, Jornal do Brasil

RIO - Após 20 anos, a torcida rubro-negra pode comemorar o retorno de Zico ao Flamengo. O maior ídolo da história do clube foi apresentado oficialmente terça-feira como novo gerente executivo, no salão nobre da Gávea. O ex-craque voltou a vestir a camisa 10 que o eternizou e não mais a tirou durante toda sua entrevista. Emocionado, Zico prometeu o mesmo esforço e comprometimento da época de jogador neste novo desafio da carreira, que é coordenar todo o futebol do clube, das divisões de base ao profissional. Suas prioridades são a construção de um moderno CT e a reestruturação do departamento de futebol.

A cerimônia contou com a presença de conselheiros e de ex-jogadores que fizeram história no Flamengo, como Júnior, Andrade, Silva Batuta e Jayme. O ex-vice-presidente de futebol Marcos Braz também compareceu. A presidente Patricia Amorim destacou o dia histórico para o clube.

O Flamengo escreve mais um capítulo de sua história e do resgate da união em torno de um ideal, que é recolocar o clube no lugar que ele merece. Ninguém melhor para representar isso do que o Zico. É a pessoa que traduz o que o Flamengo tem de melhor anunciou a presidente.

Zico chega sem custos para o clube. O seu salário será pago pelos patrocinadores. Em troca, o ídolo cederá sua imagem para campanhas publicitárias. O novo dirigente confia num trabalho sério, capaz de deixar um legado para o Flamengo.

Já recebi tudo do clube quando jogava, não quero trazer mais despesas, quero ajudar o Flamengo a melhorar. Tenho uma imagem capaz de capitalizar recursos.

Volta ao Flamengo

Em termos de coração, nunca saí do Flamengo. Quando ainda jogava comprei meu título de sócio proprietário para manter minha ligação como clube. Foram 20 anos dedicados ao Flamengo e depois segui meu caminho de trabalho. Tive outras experiências, viajei o mundo inteiro e conheci diversas formas de trabalhar no futebol, dentro e fora de campo. Ao voltar ao Brasil, só poderia trabalhar no Flamengo. Já tive que enfrentar a Seleção Brasileira (como técnico do Japão) e foi duro, mas enfrentar o Flamengo seria pior.

Desafio como dirigente

Sei da responsabilidade, da esperança dos torcedores e tomei essa decisão. Mas ninguém faz milagres. Não tenham aquela expectativa. E posso dizer que não estava tudo errado. Ninguém ganha tanto com tudo errado. Quero dar continuidade e priorizar algumas situações como dar a melhor condição de trabalho. Hoje muitos jogadores escolhem outros centros porque ouvem falar que o Flamengo não paga salário, não tem CT...

Prioridades no clube

Quero contribuir com a estrutura dos profissionais. Só assim se pode cobrar mais. O primeiro objetivo é terminar o CT George Helal (Ninho do Urubu), no Recreio. É um projeto ambicioso e importante. Quero um lugar funcional, que atenda às necessidades. É fundamental para técnico e jogadores trabalharem com tranquilidade. Acredito que no próximo ano o CT esteja pronto.

Desenvolvimento do trabalho

Neste primeiro ano vamos procurar melhorar a situação, tendo um organograma definido para todos os profissionais saberem o que têm de fazer. É um trabalho a longo prazo. Não cheguei na minha condição ao Flamengo em três meses, mas sim em 20 anos. A Patricia me abriu as portas e quero ajudá-la a deixar um grande legado.

Separar ídolo do dirigente

Venho de peito aberto. A única coisa que peço à torcida é confiança num trabalho firme e sério. O ídolo ficou para trás, agora sou dirigente que começa do zero. Se eu merecer críticas, ela tem que criticar mesmo, pois assim a gente evolui.

Filosofia de trabalho

Os atletas cumprirão tudo que está no contrato. Os direitos e deveres com o clube servem para todos e serão respeitados. Minha conduta sempre foi de diálogo. Minha presença pode ajudar porque quando o atleta está de frente com alguém que não jogou futebol ele pode rebater algumas questões. Mas isso muda quando ele vê alguém que já passou pelas mesmas situações e é vencedor.

Divisões de base

Nosso organograma tem todas as funções que os profissionais devem desenvolver desde o mirim. A base é a formação e isso tem que voltar a existir: revelar jogadores.