Kaká pode ser poupado do jogo de risco contra o Zimbábue

Jornal do Brasil

HARARE - Às 10h30 (de Brasília), a Seleção entra em campo no Estádio Nacional de Harare, a capital do Zimbábue, para enfrentar a equipe da casa no penúltimo jogo antes da estreia na Copa. Diante do time que ocupa a 110ª posição no ranking da Fifa, liderado pelos brasileiros, o grupo de Dunga depara-se com riscos às vésperas do Mundial na vizinha África do Sul. Para os zimbabuanos, a partida é vista como final de Copa diante da chance de duelar com os pentacampeões mundiais. Para o Brasil, é apenas a possibilidade de dar conjunto ao time, que não atua desde março, no amistoso com a Irlanda. Sem pensar em lesões.

O jogo sai ao custo de R$ 2,4 milhões para o Zimbábue o valor foi negociado com a CBF para receber a Seleção. Teria sido acordada a presença de todas as estrelas do Brasil, inclusive Kaká, o camisa 10 brasileiro, em recuperação de lesão muscular. À tarde, surgiu a informação de que Kaká seria poupado do amistoso. A CBF não confirmou. O provável é que ele não atue o tempo inteiro da partida.

Até o árbitro do jogo, o sul-africano Abdul Basit Ebrahim, demonstrou certa preocupação com o bem-estar dos brasileiros em campo.

Sabemos que, para o Zimbábue, é um jogo histórico e eles vão querer mostrar serviço afirmou o juiz. É preciso ter pulso firme para que ninguém se machuque, pois o Brasil em alguns dias estará disputando uma Copa do Mundo.

Na Seleção, o Zimbábue é um desconhecido. Robinho, que atuou com Benjamin Mwaruwari no Manchester City, da Inglaterra, até esqueceu o nome do país.

É um grande jogador, um grande atacante. Ele é forte e finaliza bem para o gol. O Brasil sempre tem condições de ganhar. Quando a seleção entra em campo, pode perder ou ganhar. Mas como é o nome da seleção? É Zimbábue, né?

Propaganda

Nesta manhã, a Seleção poderá servir de propaganda para o presidente Robert Mugabe, ditador que comanda o país africano desde 1980. É esperada a entrada em campo de Mugabe, que, segundo a imprensa do país, tentará tirar fotos ao lado dos brasileiros. Terça-feira, ao desembarcar em Harare, a Seleção foi recebida por um dos filhos do ditador.

O Zimbábue tem renda per capita de R$ 485. Os ingressos para o jogo de quarta-feira custam de R$ 18 a R$ 108. Mesmo assim, os 60 mil lugares do Estádio Nacional devem estar ocupados, o que levou policiais a reforçarem a segurança. O apelo causado pela Seleção que, em outros tempos, foi peça de ajuda humanitária em Porto Príncipe, no Haiti supera os preços altos das entradas para o jogo no Zimbábue.

O vizinho da África do Sul registra inflação de quase 10.000.000% ao ano e taxa de desemprego de 88%. Ou seja: só 1,44 milhão do total de 12 milhões de habitantes têm emprego no país, que, assolado por doenças como cólera e Aids, tem expectativa de vida de 42 anos.

Na recepção ao Brasil, os zimbabuanos, não acostumados com astros do esporte, lotaram o aeroporto. Pelo menos 400 pessoas pintadas e adornadas nas cores verde e amarela tentaram ver Kaká, Robinho e Cia. Eles, porém, saíram pela pista direto ao hotel. Escoltada, a delegação seguiu adiante. A chance de ver os Samba Boys será só quarta-feira.

>> Súmula

ZIMBÁBUE: Edmore Sibanda; Gilbert Mapemba, Zhaimu Jambo, Thoams Svesve e Method Mwanjali; Tinashe Nengomasha, Benjamin Marere e Ovidy Karuru; Benjamin Mwaruwari, Knowledge Musona e Vusa Nyoni. Técnico: Norman Mapeza.

BRASIL: Julio César; Maicon, Lúcio, Juan e Michel Bastos; Gilberto Silva, Felipe Melo, Elano e Kaká; Robinho e Luis Fabiano. Técnico: Dunga.

Local: Estádio Nacional de Harare. Horário: 10h30 (de Brasília). Árbitro: Abdul Basit Ebrahim (AFS). Transmissão: Globo e Sportv.