O judoca Hugo Pessanha supera falta de patrocínio e brilha no tatame

Fernanda Prates, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - O judoca carioca Hugo Pessanha está vivendo o momento de sua carreira. Sua vitória no último Grand Slam do Rio de Janeiro trouxe, além da alegria de ganhar um título em sua cidade, o prestígio de se tornar o brasileiro com a melhor colocação no ranking da Federação Internacional de Judô, ocupando o quarto lugar mundial da categoria até 90 quilos. Com a vitória, o campeão pan-americano de 2006 já garantiu 300 pontos na briga pela classificação olímpica e desponta como um forte nome para disputar os Jogos de 2012 na categoria dos pesos médios pelo Brasil.

Foi uma emoção muito diferente ganhar um campeonato desta grandeza, principalmente com toda a minha família presente. Foi muito especial, não consigo nem descrever o que senti quando subi ao pódio lembra Hugo. Esse prêmio foi importante porque, além de ter ganhado campeonato e acumulado bons pontos para ranqueamento olímpico, de quebra aumentei distância com o Tiago (Camillo, duas vezes medalhista olímpico e campeão mundial).

Atualmente treinando do Minas Tênis Clube, o judoca de 24 anos desfruta de um privilégio que pouquíssimos judocas têm: patrocínio individual, uma ajuda essencial para que possam viajar e acumular pontos no ranking. Apesar de receberem apoio da Confederação Brasileira de Judô (CBJ), a ajuda financeira do órgão é limitada, e muitas vezes insuficiente para que todos possam participar de competições internacionais. Ciente da dificuldade pela qual passam alguns de seus colegas, Hugo lembra dos tempos em que teve que se virar para conseguir seus títulos.

Lembro quando tive que pagar para ir ao Pan, com 15 anos de idade. Tive que fazer rifa e bingo para conseguir viajar. Depois que eu comecei a ganhar, as coisas melhoraram. Desde 2001, não tenho tido dificuldades, mas quase nenhum atleta tem a mesma sorte.

O problema, para o atleta, é falta de interesse em apoiar os esportistas enquanto eles ainda estão começando.

O complicado no Brasil é que a gente só valoriza o primeiro lugar. Tem muito atleta que, por conta de detalhes, acaba batendo na trave e, sem o estímulo, desiste. As pessoas parecem só querer olhar o atleta exuberante, quando às vezes aquele que não tem um currículo muito bom só precisa de um estímulo a mais para se tornar campeão.

Hugo participa de projetos sociais desde o fim do ano passado, encabeçando ao lado do Veia Social a campanha #JudoNaVeia, que, estimula, através de redes sociais, admiradores de esportes e artes marciais a doarem sangue e medula óssea.