Brasil nas Copas: Derrota de 1966 foi obstáculo no percurso para o tri

Tiago Leite, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Uma derrota amarga para Portugal, por 3 a 1, que deixou para trás uma geração de ouro, bicampeã mundial. No dia 19 de julho de 1966, a Seleção Brasileira se despedia da Copa da Inglaterra com sua pior campanha na história dos Mundiais, excluindo o de 38, quando perdeu na estreia para Espanha (3 a 1) e o sistema era eliminatório.

Se, por um lado, a torcida sofria com o fim de seus heróis sete bicampeões estavam no grupo , por outro via nascer a base do time que encantaria o mundo quatro anos mais tarde, com a conquista do tri. Foi justamente essa mescla mal feita que culminou na precoce eliminação.

Fizeram uma fusão dos veteranos que já haviam disputado duas Copas e estavam oito anos mais velhos com jovens sem experiência. É claro que não funcionou. Porém, seis desses jogadores foram campeões em 70, o que mostrou que eles tinham qualidade, mas faltava experiência diz o jornalista Luiz Mendes.

Jairzinho esteve presente na Inglaterra e ataca a filosofia da Seleção na Inglaterra. O time não jogava bem e o técnico Vicente Feola mudava a escalação a cada partida.

O Brasil teve uma presença totalmente irregular e desorganizada. Tivemos uma série de erros, como jogadores ultrapassados e um preparador físico que não tinha o conhecimento científico afirma o ex-jogador, que depois se tornaria o 'Furação' no México.

Luiz Mendes ilustra os problemas da comissão técnica ao relatar o caso de um jogador que participou da Copa com o braço fraturado.

Eles levaram o Alcindo, que estava com uma fratura no braço, sofrida durante um amistoso preparatório. Só quando ele voltou ao Brasil é que foi constatada a lesão.

Pelé é caçado em campo

Após vencer a Bulgária por 2 a 0 na estreia, o Brasil perdeu para a Hungria por 3 a 1, último jogo e a única derrota de Garrincha com a amarelinha. contra Portugal, no estádio Goodison Park, em Liverpool, brilhou a estrela de Eusébio. O confronto também foi marcado pela caça dos portugueses a Pelé, que em boa parte ficou mancando em campo.

O jogo foi muito violento. O Pelé serviu de tapete para o zagueiro Hilario e não pôde jogar. Eles caçaram o Pelé, enquanto o Eusébio jogou à vontade. Ele desequilibrou, marcando dois gols.

Simões fez o primeiro gol aos 15 minutos do primeiro tempo e Eusébio ampliou aos 27. Rildo descontou para Brasil aos 25 do segundo e Eusébio decretou a vitória aos 40.

Foi decepcionante porque, aos contrário de 58, a gente acreditava no título. Foi um triste fim para alguns jogadores tão importantes da nossa história diz Luiz Mendes.