Após denúncia de falsa bomba, alemão pode pegar 20 anos de prisão

Ricardo Setyon, Portal Terra

JOHANNESBURGO - A África do Sul deu mostras nesta sexta-feira de que cumprirá a promessa de seriedade em assuntos relacionados à segurança nacional durante a Copa do Mundo. Em reunião entre os governos da África do Sul, da Alemanha e de uma entidade de jornalistas, ficou decidida a transferência do caso da bomba no centro de imprensa para a Corte Suprema da Cidade do Cabo.

O incidente, que seria julgado pelo Tribunal Regional, aconteceu em 4 de dezembro do ano passado, horas antes do sorteio de grupos para o Mundial. Um fotógrafo alemão entrou no centro de imprensa e disse que estava carregando uma bomba, causando pânico entre os presentes. O centro ficou fechado por duas horas e 30 minutos antes do sorteio, para fiscalizar a denúncia.

Segundo autoridades sul-africanas, o caso será julgado pela Corte Suprema "graças à seriedade que a Fifa e a Interpol pediram ao país durante a Copa do Mundo". Além disso, o alemão corre o risco de pegar uma punição muito maior. Se fosse julgado pelo Tribunal Regional, a pena máxima seria de três anos. Com a transferência do caso, o fotógrafo aposentado pode ser penalizado em até 20 anos de prisão.

Além de mostrar a seriedade sul-africana, a transferência do caso mostra como será a fiscalização durante a Copa do Mundo. Isso deve afetar os jornalistas escalados para cobrir o torneio. Por terem credenciais, os repórteres serão escaneados de forma mais eficiente, para evitar acontecimentos como o protagonizado pelo alemão. Para os jornalistas presentes, a fiscalização gerará uma "perda de liberdade" durante a cobertura.