Evaristo de Macedo: Grafite tem gabarito e será muito útil

Portal Terra

TERRA MAGAZINE - Pela segunda Copa do Mundo consecutiva, a Seleção Brasileira terá 20 jogadores que atuam em clubes estrangeiros. Um recorde. Até 1978, só eram chamados atletas em atividades no Brasil. Por dois Mundiais, 1958 e 1962, um artilheiro consagrado na Europa não teve chances de ser convocado porque estava longe demais: Evaristo de Macedo.

Atacante de Barcelona e Real Madrid entre as décadas de 1950 e 1960, ele acabou preterido dos elencos que conquistaram os dois primeiros títulos mundiais da Seleção. Ainda esperto para o drible aos 76 anos, ele evita comentar sua ausência naquela época e a maioria de expatriados:

- Essa Seleção foi extremamente testada, independente de onde jogam, e o Dunga chegou à conclusão de que esses são os melhores jogadores. Tem uma ou outra preferência (cobrada), mas não foge muito (desse grupo).

Treinador da Seleção em 1985, substituído por Telê Santana para as Eliminatórias, Evaristo tem como grande mérito da carreira o título da Série A de 1988 pelo Bahia. Sua marca pela equipe canarinho foi o recorde de cinco gols num só jogo, na goleada de 9 a 0 sobre a Colômbia em 1957.

Credenciado pelo currículo de excelente goleador, aposta na surpresa da convocação para a Copa. "O Grafite fez grandes temporadas no Brasil e na Alemanha. É um atacante de gabarito e que vai ser muito útil à Seleção", assim Evaristo chancelou o ex-são-paulino, que ainda sofre com desconfianças de torcedores e jornalistas.

Sempre crítico em relação a times repletos de jovens, Evaristo mostra precaução contra o entusiasmo dos apelos pelo atacante Neymar e pelo meia Ganso. "Os garotos do Santos estão jogando muito bem. Mas são garotos. E não tiveram nenhuma experiência dentro da Seleção, nenhuma tentativa de saber se, na Seleção, terão o mesmo destaque e as mesmas atuações. Dunga preferiu não arriscar", analisou para Terra Magazine. "Todos os 23 foram testados".

Evaristo, que colecionou gols pelo seu amado Flamengo antes de treiná-lo, apoia a decisão de Dunga de não levar o centroavante rubro-negro à África do Sul.

- O problema do Adriano foi criado por ele mesmo. Ele faz uma péssima temporada, tem alguns problemas de ordem pessoal que estão interferindo diretamente no seu desempenho - afirmou.

Pupilo

Pela presença de um convocado, ao menos, Evaristo tem participação: o lateral-direito do Barcelona, Daniel Alves, dirigido por ele no comecinho de carreira profissional, no Bahia.

- Jogador eclético, tecnicamente muito bom, com um condicionamento físico diferente, tem cabeça pra jogar futebol, vai ser muito útil independentemente da maneira como será aproveitado.

A capacidade de ocupar outras posições ofensivas era apontada desde cedo por Evaristo. Daniel passou a atuar improvisado na ala esquerda e acostumou-se, em certa época no Sevilla, a jogar no lado direito do meio de campo. "Eu o observava desde o (time) juvenil, um lateral que sabia apoiar muito bem e sobretudo tinha boa definição", lembrou.