Não existe lugar cativo no time, José Roberto Guimarães

Bruno Voloch , Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - A seleção feminina se apresentou esta semana na cidade de Saquarema e começou os treinamentos visando ao Grand Prix e ao Campeonato Mundial. José Roberto Guimarães convocou 16 jogadoras, mas duas não poderão disputar o Grand Prix. Por causa de alguns problemas no ano passado, o treinador preferiu trabalhar com 16 atletas.

Zé disse estar preocupado com o futuro do vôlei feminino em função da saída de alguns patrocinadores, afirmou que vai priorizar a parte física, não vai admitir vaidades, exige o grupo concentrado e que as jogadoras mais versáteis largam na frente. Nome e título olímpico não garantem a titularidade e Zé avisa que vai jogar quem estiver melhor.

Como você reagiu após o anúncio do fim do time de São Caetano?

Infelizmente já estamos acostumados com essa situação e no ano passado vivemos algo semelhante quando Osasco perdeu o patrocinador. Ainda bem que em pouco tempo eles firmaram parceria com a Nestlé. Mas é algo preocupante, porque se não surgirem novas equipes será impossível manter todas as jogadoras da seleção no Brasil para esta temporada.

Como serão as primeiras semanas de treinamento?

Vamos dar ênfase à parte física, trabalhar a técnica individual e evitar que as jogadoras saltem. As levantadoras vão treinar separadamente, assim como as ponteiras passadoras.

Por falar em levantadoras. Quem será a titular este ano?

A vaga está aberta. Claro que por ter um pouco mais de experiência, a Dani leva uma pequena vantagem. Mas quero e vou observar as três jogadoras e elas terão as mesmas oportunidades.

Você já pensou no time titular?

A base nós já temos, mas não existe lugar cativo no time. Na ponta por exemplo tenho a Mari, a Jaqueline, a Natália e a Paula, ou seja, todas podem ser titulares e vai jogar quem estiver melhor.

E essa situação da Natália, que joga de oposta no clube e ponta na seleção?

Não está escrito que ela será oposta ou ponteira. Ela realmente foi convocada de ponta, mas se estiver voando como oposta, pode atuar sem problemas como titular. Eu digo que a versatilidade vai fazer a diferença na lista final. Quanto mais versátil for a jogadora, melhor para ela e mais chances de permanecer na seleção ela vai ter. Isso sim será determinante, aquelas que conseguem atuar em duas ou três posições vão sobreviver.

Você me parece preocupado com o grupo atual, por quê?

É uma preocupação normal. Vou ser mais exigente do que nunca e não posso abrir mão da disciplina, quero as meninas concentradas nos nossos objetivos, todas comprometidas com o trabalho, doadas ao projeto e com treinamentos de qualidade.

Então nem mesmo as campeãs olímpicas estão garantidas?

Claro que não. Na seleção não existe e jamais vai existir isso. Esse papo de 'intocável' acabou e vai jogar, como disse antes, aquela que estiver mais bem condicionada nos aspectos físico e técnico, não importa o que tenha feito no passado.

O Rio de Janeiro acaba de contratar Mari e Sheilla. Elas vão fazer sucesso aqui?

Com certeza. Foi uma opção válida, é um grande time e o Rio tem uma comissão técnica boa de trabalhar.

A Mari foi vaiada, perseguida e deu uma banana" para essa mesma torcida. E agora?

É uma besteira. A Mari era adversária e hoje faz parte do time. A torcida vaiou a Mari, que era do São Caetano, e agora será obrigada a aplaudir a Mari do Rio. Nada como um dia atrás do outro. A Mari é uma ótima menina e o tempo vai responder todas essas questões.