Air Race: repórter do JB vive um dia de 'piloto'

JB Online

RIO - Repórter Fernanda Prates descreve a experiência de voar em avião que participará do Red Bull Air Race.

" Adrenalina não começa a descrever o que eu senti ao viajar em um dos aviões da Red Bull Air Race. Assim, sem nem planejar, lá estava eu, dentro de um macacão quentíssimo, com bóias, pára-quedas, capacete e o pouco de coragem que consegui juntar para entrar voluntariamente em uma caixinha metálica chacoalhante que faz piruetas a alguns metros acima da água. Porém, se a perspectiva pareceu levemente assustadora a princípio, o passeio foi incrível, espetacular, e todas esses termos entusiásticos somados e elevados ao quadrado. A vista não tem comparação. Se o Rio visto de cima já impressiona, já dá até para imaginar como é vê-lo de cabeça para baixo, e de um lado pro outro, rodando a 360º graus e ainda por cima sob alguns Gs de pressão.

Mas rodopiar, subir, descer e dar cambalhotas é a parte mais fácil do passeio: o difícil é ter o estômago para entrar naquela cabine depois das assustadoras instruções do piloto espanhol Sergio Pla, que passa aproximadamente 10 minutos listando todas as situações potencialmente fatais pelas quais você pode passar, e ensinando os mil procedimentos que você deve realizar para conseguir se safar delas. A mim, com conhecimentos NULOS de aviação e procedimentos de emergência, bastou ouvir, prestar o máximo de atenção possível e torcer para não ter que lembrar daquilo tudo de ponta-cabeça embaixo d'água. Você já andou de pára-quedas? , perguntou o espanhol. Não , respondi assustada. Relaxa, hoje não será a primeira vez . Ah, bem, pelo menos ele tinha senso de humor.

A cabine em si nem era tão quente, mas o macacão anti-incêndio parecia um pequeno forno de tecido. Na hora das manobras, que mais parecem sessões intensas de musculação em todo o corpo, suar como um pequeno suíno é inevitável. O capacete tem um fone, no qual o piloto te dá as instruções sobre para onde olhar para evitar pressão no pescoço . Fernanda, are you OK? era a pergunta mais frequente. As respostas variavam entre YEAAAAH , "OOOOK" e AWESOOOOME (incrível), típicas de uma criancinha visitando um parque de diversões pela primeira vez. Do meu lado direito, um saquinho para vomitar (o que não me pareceu uma ideia muito inteligente em um avião que fica de ponta-cabeça). Do esquerdo, um botão que eu podia apertar para tirar fotos das minhas expressões... Ahn... Peculiares. No meu pé, dois pedais que eu não deveria pressionar. Mas tudo que "pode" e "não pode" e "deve" e "não deve" some totalmente quando se está no ar. Eu só pensei em aproveitar e, quando muito, contrair meus músculos (daí as expressões faciais ridículas) para aliviar os tais "G"s de força e, bem, não apagar ali mesmo.

Mas não apaguei, passei mal, fiquei tonta ou aterrorizada sequer por um minuto durante o passeio. Saltei do avião ainda trêmula, suada, descabelada, com os litros de red bull que eu tinha consumido antes revirando no meu estômago. Mas a adrenalina... Ah, a adrenalina. Mais emocionante que o voo, só se eu tivesse, de fato, usado o meu pára-quedas. Mas, bem, acho que já tive o suficiente de emoção por um dia..."

A repórter participou do voo a convite da Skol