Resultados de quarta-feira credenciam Rogério e põem em xeque Gaúcho

Jornal do Brasil

RIO - Ironicamente, os resultados de quarta-feira deram um tom às avessas em rubro-negros e vascaínos. Enquanto a derrota de 2 a 1 para o Corinthians classificou o Flamengo na Libertadores, em São Januário a vibrante vitória (3 a 1) sobre o atual campeão baiano frustrou, mais uma vez, a ambição na Copa do Brasil. Os dois times são dirigidos por treinadores interinos, que, a esta altura, já sabem mais ou menos o que o destino lhes reserva.

No Flamengo, Rogério Lourenço não conteve as lágrimas após a partida. Com o gol marcado fora de casa vencera no Rio por 1 a 0 , o time carimbou o passaporte para as quartas de final da badalada competição sul-americana. O ex-jogador, revelado na Gávea, conta com a simpatia e a paciência da diretoria para seguir no cargo.

É bom lembrar que futebol é resultado, e qualquer tropeço pode transformar herói em vilão. No caso do treinador, os incêndios costumam ser apagados com o seu emprego. Também ex-zagueiro e revelado na Colina, Gaúcho viveu momentos de afirmação no Vasco após a demissão de Vagner Mancini. Ele assumiu o time no dia 28 de março, goleando o Fluminense por 3 a 0 no Carioca. Vieram mais dois triunfos (ASA-AL e Duque de Caxias) e uma fatídica eliminação para o rival Flamengo na semifinal da Taça Rio (2 a 1) derrota mal digerida em São Januário.

Na sequência, os cruzmaltinos passaram pelo Corinthians-PR na Copa do Brasil, dando sobrevida ao treinador. Porém, a eliminação para o Vitória gerou uma desconfiança interna no clube. Amigo e companheiro de time do ex-zagueiro, o presidente Roberto Dinamite é favorável à manutenção do interino. A posição do cartola, no entanto, não é a mesma da do diretor executivo Rodrigo Caetano. O Vasco só tem o Brasileiro pela frente, e, se não for campeão da Série A, completará o sétimo ano sem título na primeira divisão.

Para isso, Caetano pensa em um nome forte para o cargo. Dinamite, por sua vez, pede paciência.

Gaúcho tem contrato até o fim do ano, mas toda a comissão está ciente de que, se tiver alguém de nível de Seleção Brasileira, podemos fazer algumas mudanças. Mas temos de agir com responsabilidade. Não podemos contratar e depois passar a dívida adiante , argumentou o presidente vascaíno.

Na Gávea, a presidente Patrícia Amorim está disposta a seguir apostando em Rogério. Na quarta-feira, na euforia da classificação, ainda no animado vestiário, ela bancou a permanência do ex-jogador. Já quinta-feira, no desembarque do time, no Rio, o tom era de mais cautela.

Eu ainda não efetivei o Rogério. Mas as coisas caminham para isso acrescentou.

Rogério é tido como grata surpresa na profissão, mesmo ainda jovem. Como Joel Santana primeira opção após a saída de Andrade ficou no Botafogo, o clube, de mãos atadas, apostou no ex-zagueiro, que caminha para a efetivação.

Agora é aguardar os resultados.