Parreira tenta dar à seleção da África do Sul um "jeito brasileiro"

Natalia da Luz, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Ele chegou à África do Sul com uma responsabilidade grande: transformar a seleção anfitriã da Copa do Mundo, desfavorecida no ranking da Fifa, em uma equipe competitiva, pronta para disputar o Mundial. No início de 2007, Carlos Alberto Parreira desembarcou em gramados sul-africanos munido de sua teoria, prática e muita vontade. O convite partiu do sul-africano Danny Jordan, ativista anti-apartheid que há anos tentava realizar o sonho não só dele, mas de toda a África, em sediar uma Copa do Mundo. Convite aceito, Parreira iniciou um trabalho intenso, que teve de ser interrompido por problemas familiares (quando a seleção sul-africana ficou sob o comando de Joel Santana, por 17 meses) e agora se encontra na reta final.

O nosso planejamento teve dificuldades naturais, mas foi seguido com ótimos resultados. Essa última etapa abrange treinamentos no Brasil, Alemanha e África do Sul (a partir do dia 5 de maio). disse Parreira, otimista ao JB, de Wiesbaden, Alemanha.

A quase 40 dias da Copa do Mundo, o que Parreira mais quer é colocar os Bafana Bafana (apelido da seleção sul-africana que significa Moleque Moleque em xhosa, uma das 11 línguas oficiais do país) para jogarem. Por isso, ele avaliou a temporada no Brasil (de 8 de março a 7 de abril) como muito produtiva.

Passamos um mês treinando e jogando. Fizemos nove partidas (oito no Brasil e uma no Paraguai) durante o período e, se tivéssemos mais tempo, teríamos jogado muito mais lembrou, destacando a atuação positiva da equipe que perdeu apenas uma partida.

Essa conexão África do Sul-Brasil foi lembrada por Lucas Radebe, embaixador da África do Sul para a Copa e ex-jogador do Kaizer Chiefs time mais popular do país da Copa.

Temos uma interação cada vez maior com o Brasil. Isso é muito bom não apenas para o nosso futebol, que vem melhorando e evoluindo, mas para a nossa cultura também. É uma troca saudável com profissionais de know how disse Radebe, sobre a equipe pela qual ele vai torcer durante o Mundial e que, não por coincidência, é comandada por mais brasileiros, além de Carlos Alberto Parreira: Jairo Leal (auxiliar técnico), Francisco González (preparador físico), Alexandre Revoredo (treinador de goleiros) e Carlos Eduardo Parreira.

Dificuldades com amistosos

Durante esta fase final, Parreira acrescenta que, no Brasil, foi mais fácil marcar bons jogos, diferentemente da Alemanha, onde a SAFA (Federação Sul-Africana de Futebol) ainda busca bons adversários depois da partida (de 0 a 0) do último dia 22 contra a Coréia do Norte, primeiro adversário do Brasil na Copa. O próximo jogo será contra Jamaica, no dia 28.

Não adianta só treinar às vésperas da Copa. Precisamos jogar para melhorar e dar identidade ao time.

A Equipe ainda não está completa, já que pelo menos seis bons bafanas internacionais que jogaram na Copa das Confederações ainda não foram liberados de seus clubes.

Sobre o torneio do ano passado, quando o time foi comandado por Joel Santana, Parreira afirma que foi um excelente ponto de equilíbrio e que os jogadores sul-africanos deixaram uma impressão positiva.

A seleção fez boas partidas, mas não podemos esquecer que a Copa do Mundo é outro torneio maior, com outro grau de dificuldade analisou o técnico. Agora, não temos Iraque nem Nova Zelândia. Temos México, Uruguai e França!.

Mesmo em uma chave forte, ele está bem confiante. Não apenas em relação à equipe, mas ao evento como um todo.

Os aeroportos foram ampliados e alguns estádios estão entre os melhores do mundo. Os sul-africanos têm plena consciência do quanto esse momento será importante para eles opinou o técnico, chamado carinhosamente de my coach (meu técnico) desde que pisou na África do Sul.

Garimpo sul-africano

A Copa do Mundo será o grande momento deste longo processo, e onde, definitivamente, o desempenho dos Bafana será avaliado de forma completa, apesar de a evolução já ser bem nítida. Parreira destaca que o time está tocando e dominando mais a bola, como se faz muito bem no Brasil. Isso seria o resultado da implantação bem-sucedida da escola brasileira, tão particular no futebol. Afinal, é uma preparação de mais de três anos sob o comando de profissionais de um país com jeito pentacampeão de jogar.

Quando o Parreira saiu, o planejamento foi seguido levando em conta as características do Joel. Com a volta dele, mudamos algumas coisas táticas e intensificamos o processo de tirar o melhor, individualmente, de cada jogador disse ao JB o auxiliar técnico Jairo Leal, que convive com os jogadores desde 2007, selecionando os melhores atletas da África do Sul.

A lista de 120 jogadores, resultado de uma boa garimpada em campos africanos (durante mais de 300 jogos que Jairo assistiu para este fim), foi reduzida para 45 hoje, a poucos dias da Copa.

No Brasil, trabalhamos com 29 atletas e agora, na Alemanha, estamos com 25, número que devemos manter nesta última etapa a partir do dia 5 de maio explicou sobre o grupo-base da seleção sul-africana que será incrementado com jogadores ainda amarrados aos clubes europeus.

Com ou sem os experientes jogadores sul-africanos, a missão é explorar as habilidades e a criatividade de cada um deles.

Eles gostam de brincar com a bola e estão aprendendo a participar da ação defensiva. Na África do Sul, há treinadores de várias partes do mundo, cada um com o seu estilo. E nós estamos inserindo o nosso compartilhou um orgulhoso Jairo, citando o amadurecimento da equipe. Há muito crescimento, mas há, claro, limitações técnicas. Não se faz um Zico, um Pelé. Você precisa dar condições para que tenham o melhor. E é isso que estamos fazendo.