Arena da Baixada: um estádio contra um zagueiro

Portal Terra

CURITIBA - O jogo Atlético-PR e Palmeiras foi um dos mais esperados da semana. Pela importância como decisivo da Copa do Brasil, mas a expectativa era muito maior pelo reencontro de Danilo e Manoel e pelos protestos prometidos pela torcida atleticana.

A missão era fácil, acompanhar de perto a torcida rubro-negra e todas suas reações com a presença de seu ex-zagueiro em campo. Próxima à curva da Buenos Aires ainda no setor Getúlio Vargas. Em cada cadeira um pequeno pedaço de TNT. Não se assustem, o protesto era pacífico e o tal TNT citado não se trata do explosivo, é o chamado tecido não tecido.

Nas cores preto e branco, o TNT espalhado formou a palavra "respeito", tomando conta de todo o setor inferior da Getúlio Vargas. Um mosaico humano, sem ensaio e que deu à noite uma beleza ainda maior.

Uma hora antes da partida e todo mundo muito tranquilo, mas com uma expectativa grande por uma vitória atleticana e pela entrada de Danilo em campo. "Ele não vai ter coragem", "o Danilo deve estar com medo, eu estaria", "será que o Manoel vai cumprimentar ele?" eram algumas das perguntas dos torcedores que chegaram cedo à Arena da Baixada.

"O Atlético-PR vai deixar o Palmeiras entrar antes, aí a galera vai delirar", profetizava uns dos torcedores. Proposital ou não, o Atlético-PR demorou quase 10 minutos a mais para entrar no gramado, tempo que a torcida aproveitou para "vingar" Manoel.

Quando o Palmeiras surgiu na porta de acesso ao campo, a torcida explodiu. Se jogador já acha complicado jogar na Arena da Baixada em partidas "comuns", na noite da última quarta-feira a torcida transformou o estádio em um caldeirão mais borbulhante ainda.

Uma sonora e intensa vaia abriu a noite dos protestos. Aos gritos de "timinho" a torcida mostrou desprezo por toda equipe paulista, mas o alvo principal era mesmo Danilo. O protesto foi pacífico, mas sem nenhuma finesse, palavrões foram entoados e salpicados a noite toda. Os cantos em tons animados e sob a batida de uma bateria tomaram conta dos quatro setores da Baixada. Não houve um atleticano que não tenha gritado ao menos uma vez uma algo contra Danilo, que atuou no clube rubro-negro até 2008. "Racista" foi a palavra da noite, mas o zagueiro também teve de "engolir" gritos de "refugo" e "o rubro-negro não precisa de você". Enquanto aquecia, o zagueiro evitava olhar para as arquibancadas e era "embalado" pelo canto "esse babaca está querendo aparecer e vai morrer".

Com o time rubro-negro entrando em campo, a Arena voltou a explodir e Manoel foi o nome ovacionado enquanto nas arquibancadas os torcedores "escreviam" a palavra respeito.

No momento mais aguardado da noite - o cumprimento dos jogadores - a torcida entoou o tradicional grito de formação de uma ola e foi ao delírio quando Manoel, no estilo Bridge x Terry, não estendeu a mão para Danilo. E assim foi a noite de Danilo, a cada jogada uma sonora vaia. Saiu de campo no intervalo e no final da partida sem cumprimentos, cercado de seguranças ainda foi irônico com alguns funcionários do Atlético-PR quando deixava a sala de exame antidopping. O silêncio só veio nos minutos finais, quando Lincoln marcou o gol de empate aos 43min do segundo tempo e Danilo ganhou uma régua da torcida que lamentava a eliminação da Copa do Brasil com o placar de 1 a 1. Aos torcedores do Atlético-PR cabe o reconhecimento pelo protesto que foi na medida. O Palmeiras que montou um esquema especial de segurança, utilizando um "falso" ônibus para chegar à Arena da Baixada, foi surpreendido pela postura da torcida que se limitou a esbravejar apenas nas arquibancadas, sem revide violento ao clube ou a Danilo.