Contraste de posições no campeonato marca clássico Vasco x Fluminense

José Luiz de Pinho, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - O duelo entre Vasco e Fluminense, hoje, às 18h30, no Maracanã, é mais ou menos como aquela história do 'primo rico' e o 'primo pobre', quadro do humorístico Balança, mas não cai, de 1982, estrelado por Paulo Gracindo e Brandão Filho. O primo rico, no caso, é o Fluminense, que está com o boi na sombra, de bem com a vida, com a torcida e ainda terá a chance de se vingar do 'primo pobre', o Vasco.

A eliminação nas semifinais da Taça Guanabara, na decisão por pênaltis, por 5 a 4, após a cobrança desperdiçada por Alan, ainda está atravessada na garganta dos tricolores. Mas por que primo rico e primo pobre? O Fluminense é o rico porque nos 13 jogos disputados no Estadual, venceu 10, empatou dois e perdeu só um (5 a 3 para o Flamengo na Taça GB). Com 16 pontos, está praticamente garantido nas semifinais da Taça Rio.

Pode, inclusive, terminar como líder do Grupo A, à frente do Flamengo, e pegar o segundo colocado do Grupo B. O time tem uma fartura de gols 16 e o ataque mais positivo da competição ao lado do Flamengo.

Segundo, porque tem um treinador, Cuca, em alta com a torcida, e um time confiável, que se dá o luxo de não depender do contundido Fred. Terceiro porque tem totais chances de conquistar seu 31º título estadual, igualando a marca do Flamengo.

Já o Vasco é o pobre porque vive uma crise de identidade. Desde que perdeu a decisão da Taça Guanabara para o Botafogo, o time desandou. A pífia campanha na Taça Rio o deixou até sem comandante. Nem treinador efetivo o time tem. Após a demissão de Vagner Mancini, a equipe será dirigida pelo interino Gaúcho, que era técnico dos juniores.

O time perdeu os últimos três jogos para Americano, Flamengo e Olaria e marcou apenas sete gols, igualando-se ao modesto Tigres, que corre risco de ser rebaixado. Em 14 jogos no Estadual, perdeu quatro.

Mazelas que levam à loucura a sua torcida, a ponto de xingar o até então exaltado presidente Roberto Dinamite. Em terceiro lugar no Grupo B, com apenas nove pontos, o 'primo pobre' corre risco de ficar fora das semifinais.

Além disso, tem em Dodô um atacante em baixa e desmotivado, desde que perdeu dois pênaltis na derrota de 1 a 0 para o Flamengo.

Para o abastado primo rico, um simples empate no clássico garantirá mais uma benesse: a classificação às semifinais. Já para o primo pobre, a realidade é bem mais cruel. Se não vencer poderá ser eliminado de forma precoce do Estadual, prolongando um jejum que já dura sete anos, desde 2003, sem ganhar o título.

Mas, como no futebol tudo é possível, nem o pessoal do Fluminense descarta que o primo pobre pode aprontar para cima do primo abastado.

Coutinho e Wellington Silva, amigos de longa data

As camisas que Philippe Coutinho e Wellington Silva vão defender no clássico de hoje são bem diferentes. Mas passado, presente e futuro são pra lá de semelhantes. A afinidade entre os dois é tamanha, que ambos vão até trocar as camisas no intervalo do clássico.

Ainda meninos, foram parceiros no futebol de salão. Já adolescentes, se livrando das espinhas no rosto, encantam suas torcidas com ousadia, jogadas de efeito e gols. Um autêntico futebol moleque, que os levou a defender o Brasil no último Campeonato Mundial Sub-17, na Nigéria.

Jogamos juntos no time da Light (Grajaú) e no River (Piedade). E ele sempre teve esse estilo ousado. Por isso, nos entendíamos bem na quadra lembra Philippe, que vê muita semelhança no estilo de jogo dos dois.

Wellington Silva é só elogios ao ex-companheiro das quadras de futsal.

O Philippe é meu amigo. Espero poder entrar em campo para lhe dar um abraço. Vai ser um momento diferente imagina Wellington, reserva de luxo do Fluminense.

E o futuro? Para ambos parece garantido. Philippe e Wellington já são candidatos a ídolos no exterior.

O xodó do Vasco, pela Internazionale de Milão. Ele deve se apresentar ao clube italiano a partir de 12 de junho, quando completará 18 anos.

O menino prodígio do Fluminense também tem destino certo: o Arsenal, da Inglaterra, para onde segue a partir de 6 de janeiro de 2011, quando atingirá a maioridade.

Em comum, outra realidade: ambos são tão talentosos, que as diretorias de Vasco e Fluminense querem prorrogar a permanência de suas joias raras. Como atrativo para hoje uma curiosidade: ambos vão se enfrentar pela primeira vez como jogadores profissionais.

Aposta no sucesso mútuo

Um é fã do estilo do outro. O respeito pelo futebol do ex-parceiro é tanto que Coutinho até alertou à defesa do Vasco para abrir o olho.

O Wellington é muito rápido, não joga para os lados. Parte para dentro, mesmo. Nossa defesa terá de ficar atenta se ele entrar no jogo.

Wellington Silva acredita no sucesso de Philippe Coutinho na Inter de Milão, mas acha que o amigo deveria ficar no Vasco até o final do ano.

Seria bom para ele pegar mais experiência. É uma ótima pessoa e lhe desejo tudo de bom disse o tricolor, sem saber ainda se o Fluminense conseguirá mantê-lo no clube até o meio do ano que vem.

Coutinho também está certo de que o ex-parceiro de futsal se dará bem no Arsenal.

Os ingleses vão ficar encantados. Ele vai explodir rápido porque é veloz e habilidoso. Só precisa ter mais chances no profissional disse ele, que ainda não sabe se ficará no Vasco até dezembro O que for resolvido vou acatar.

O clássico pode ser o único confronto entre os dois jogando ainda no Brasil.

Clássico é decidido nos detalhes. Quem errar menos, ganha e espero que seja o Vasco acredita Philippe.

Wellington Silva não quer nem imaginar uma derrota do Fluminense.

Vou fazer o melhor para dar a vitória ao meu time e à minha torcida garante ele.