Emílio Sánchez responde críticas e lamenta "falta de união" no tênis

Portal Terra

DA REDAÇÃO - Coordenador do tênis brasileiro desde fevereiro de 2009, Emílio Sánchez Vicário respondeu em seu blog as críticas feitas por Fernando Meligeni após o Rio Champions, em 14 de março. Na ocasião "Fininho" cobrou uma maior transparência nas contas da Confederação Brasileira de Tênis (CBT), sendo apoiado por nomes como Thomaz Koch, Nelson Aerts e Ricardo Acioly.

O espanhol se baseou em um artigo que havia escrito antes da polêmica, no qual ele elogiava o otimismo que estava sentido no Brasil - o dirigente, porém, decidiu não publicar o texto depois das críticas. "Não tinha sentido divulgar que estava ganhando credibilidade no nosso projeto se alguns nomes importantes do tênis brasileiro diziam o contrario", comentou.

Na visão do europeu, os argumentos utilizados por Meligeni não são satisfatórios. "É uma pena que agora que estão aparecendo as melhorias para o tênis brasileiro há pessoas que preferem seguir criticando e criando discórdia, optando por estar do outro lado da mesa e também por não participar deste projeto global que estamos realizando", afirmou o espanhol. "É uma pena esta falta de união, mas a gente segue em frente apoiando ativamente o tênis do Brasil", emendou.

Para Sanchéz, o fato de ele não ser brasileiro pode ter ocasionado os ataques. "Aceito as críticas e compreendo que tem gente que se incomoda por ter um estrangeiro dizendo o que se deve fazer com o tênis deste país. (...) Mas mesmo assim continuo feliz trabalhando neste projeto", garantiu.

O coordenador se mostrou especialmente magoado com as críticas de Acioly. "Isso me surpreendeu bastante porque duas semanas atrás chegamos a um acordo que seu centro de treinamento seria um dos centros regionais, seu jogador receberia o dobro de ajuda financeira e outro atleta seu entraria no grupo de jogadores que recebem apoio da CBT. O próprio Acioly seria um dos treinadores que apoiariam os jogadores brasileiros no circuito", escreveu.

Sobre a suposta falta de transparência financeira da CBT, Sanchéz assegura que está tudo certo. "A a CBT está mudando, é uma empresa séria, fez auditoria, gera recursos próprios e esperemos que seja rentável em breve", argumentou Sanchéz, que também não gostou da cobrança de Fininho sobre os valores de seu salário. "Não seria mais importante que ele estivesse preocupado com o tênis brasileiro? Não deveria perguntar em que eu tenho ajudado? Se sou necessário?", questionou.

O presidente Jorge Lacerda da Rosa também foi defendido. "Não compreendo as críticas ao presidente, tão focado neste projeto, sempre disposto a ajudar no meu trabalho de coordenador do tênis brasileiro e dando toda a liberdade para trabalhar e fazer o que se deve fazer; tenho certeza que, quando se trabalha, no final haverá resultados", afirmou.

Confira o texto, publicado nesta quinta, na íntegra:

Duas semanas atrás escrevi um artigo para a Revista Tennis View, revista que colaboro e escrevo mensalmente. Um dia antes de enviar o artigo para sua publicação escutei que Fernando Meligeni, depois de ter ganhado o titulo de campeão do Torneio Sênior Rio Champions 2010, na roda de imprensa logo depois do jogo, fazendo duras acusações ao presidente da Confederação Brasileira de Tênis, reivindicando que Jorge deveria dar explicações sobre em que gastava o dinheiro da CBT. Disse também que estava acontecendo o mesmo que com a gestão anterior e deixou claro que estava muito preocupado sobre o salário que pagavam pelo meu trabalho junto a CBT. No dia seguinte, Koch, Aerts y Acioly se uniram as críticas contra a CBT. Comprendo que as pessoas que nao fazem parte do projeto falem, mas as criciticas de Acioly, me surprendeu bastante porque duas semanas atrás, chegamos a um acordo que seu centro de treinamento seria um dos centros regionais, seu jogador receberia o dobro de ajuda financeira e outro jogador seu entraria no grupo de jogadores que recebem apoio da CBT e o próprio Acioly seria um dos treinadores que apoiariam os jogadores brasileiros no circuito, por tudo isto me surprende ainda mais.

No meu artigo eu falava sobre a boa energia que se estava criando, do otimismo e das boas expectativas, mas depois destas declarações decidi não publicar o artigo. Não tinha sentido divulgar que se estava ganhando credibilidade no nosso projeto se alguns nomes importantes do tênis brasileiro diziam o contrario. Então me perguntei: O que nós da CBT devemos fazer? E a nossa filosofia de trabalho que estamos seguindo desde o primeiro dia que entrei para formar parte deste projeto? Dei-me conta da resposta: "dar um ótimo serviço e unir toda a comunidade tenística brasileira". Vamos seguir nesta linha de trabalho que esta começando a ter resultados e continuar melhorando, uma pena que agora que estão aparecendo as melhorias para o tênis brasileiro, há pessoas que preferem seguir criticando e criando discordia, optando por estar do outro lado da mesa optando também por não participar deste projeto global que estamos realizando. É uma pena esta falta de união, mas a gente segue em frente apoiando ativamente o tênis do Brasil y continuaremos ajudando em varias áreas do tênis brasileiro: como tênis profissional, tênis infanto-juvenil, torneios profissionais, tênis feminino, seniores, as federações regionais, aos clubes, aos treinadores, aos praticantes deste esporte, aos meios de comunicação, aos patrocinadores, ao COB e também ao Ministério do Esporte. Todas estas áreas são fundamentais para o desenvolvimento do tênis neste país, mas acima de tudo deve-se haver um espírito de união entre todos, que é o que a gente esta incentivando que aconteça.

Referindo a minha pessoa, aceito as criticas, compreendo que tem gente que se incomoda por ter um estrangeiro dizendo o que se deve fazer com o tênis deste país, também que pensem que tem gente que poderia fazer melhor, mas mesmo assim, continuo feliz trabalhando neste projeto, e como tal, é normal que apareçam defensores e também gente contraria a este projeto, mas eu continuo ajudando e dando idéias, a CBT esta mudando, é uma empresa seria, fez auditoria, que gera recursos próprios, que esperemos que seja rentável em breve.

Agradeço pessoalmente a todos que participam desde dentro e fora deste projeto, que acreditam neste projeto e se juntam a ele; melhoramos muito graças a todos estes colaboradores e sua participação é muito valiosa e assim seguiremos. Não compreendo as criticas ao presidente, tão focado neste projeto, sempre disposto a ajudar no meu trabalho de coordenador do tenis brasileiro e dando toda a liberdade para trabalhar e fazer o que se deve fazer; tenho certeza que quando se trabalha no final haverao resultados.

Meu projeto esta baseado na pirâmide do Tênis Brasileiro, todos os componentes da pirâmide são participantes deste grande projeto, e são responsáveis diretos do crescimento da competitividade de nível mundial, com o objetivo principal de serem o pais numero um no tênis sul americano y ser competitivo com as melhores escolas do tênis mundial.

Por último, quero fazer referencia a preocupação de Fernando sobre o salário pago pela CBT pelo meu trabalho, não seria mais importante que ele estivesse preocupado com o tênis brasileiro? Não deveria perguntar em que eu tenho ajudado? Se sou necessário? Surpreende-me que apos ganhar um torneio de tênis, um momento tão gratificante para um jogador de tênis, se preocupou em lembrar de quanto é o meu salário. Para que conste y seguindo um conselho de meu pai "sempre de mais do que recebes", me preocupei que a CBT, não tivesse gastos comigo, assim que, Fernando, desde agora podes preocupar-te com outras coisas. Assim mesmo, em pouco tempo se publicara as contas da CBT e poderás satisfazer a tua curiosidade e estar tranqüilo. Eu não estarei tranqüilo ate que todos os envolvidos com o tênis brasileiro estejam unidos.